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sexta-feira, 19 de julho de 2013

When that which is perfect ...

... do not remain in the "Valley of tears";
... the Lamb will return;
... There will be no more injustice, sin, death, suffering, bad memories, unknowns, environmental pollution, unemployment.

It is true that what we know about the future are just signs of what will come. But they are reliable signs, because "no eye has seen, no ear has heard, no mind imagined what God has prepared for those who love him"

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Livre Arbítrio


Na em 1996, a televisão levou ao ar uma reportagem sobre o uso de crack pelos adolescentes (e o assunto, hoje, virou epidemia).
Ao ver, na reportagem, o sofrimento dos pais e a luta ingente do drogado, lutando para se livrar das garras tirânicas da dependência, me ocorreu a seguinte parábola sobre esta questão da soberania divina e da liberdade humana. Ei-la.
Certo dia, um pai descobre que seu filho é um drogado, dependente de crack. Faz de tudo para ajudar o rapaz, mas este, ainda que lute para se desvencilhar, não tem mais forças para largá-la, e tenta se matar, inclusive para se livrar do complexo de culpa, pelo desgosto causado aos pais. O pai o acha a tempo (estava meio de olho), socorre-o e o salva.
Alguns dias depois, em conversa com o filho já convalesceste, propõe-lhe uma solução extrema. O pai tem uma idéia para devolver ao filho a força (o livre-arbítrio) para sair daquela situação. Propõe ao filho e este aceita.
Pegam um carro e vão, somente os dois, para um sítio isolado. Longe de tudo e de todos. Ali, tentarão lutar contra a droga, cortando lenha, subindo corredeiras, trabalhando pesado até caírem mortos de cansaço. O pai está atento e determinado a aguentar mais que o fragilizado rapaz.
No segundo dia, o jovem começa a mudar: a mostrar-se indócil, agitado, impaciente, nervoso, irado, truculento, violento. Ele precisa daquela droga. Seu organismo exige (seu “senhor” o está chamando de volta). O pai vai contemporizando, conversando, distraindo, sabendo que precisa ganhar tempo. Precisa, pelo menos, de uma semana (este é o tempo que os médicos estabelecem para a desintoxicação química do organismo).
No terceiro dia, o filho tenta fugir de noite, mas o pai, que a estas alturas está dormindo com um olho só, o intercepta. O garoto está transtornado. O pai o agarra. Este, cego por dores internas fortíssimas, agride o pai com fúria, e tenta correr. O pai se levanta e o alcança. Está determinado a ajudar o filho. Uma semana, é a meta. Faltam 4 dias ainda. Agarra o garoto, que tenta agredi-lo novamente. Mas desta vez o pai é quem o soca violentamente. O garoto cai desacordado.
O pai o leva de volta para a casa e o amarra na cama. Quando o rapaz acorda, começa a gritar, gemer, xingar, blasfemar, contorcer-se, desafiar o pai, dizer os piores desaforos. O pai tenta abraçá-lo, mas é recebido com cusparadas e palavrões. Uma noite de cão.
A estas alturas, imagino um calvinista dizendo: “aqui, o pai retirou o livre-arbítrio do menino”. E eu responderia: “que livre-arbítrio?”
Amarrado, o rapaz fica ali por mais quatro dias. Reclama de dores nas costas, de mau-jeito, de dores nas mãos, nos tornozelos, por causa das cordas. O pai, algumas vezes, tentou afrouxá-las, para aliviar o desconforto, para levá-lo ao banheiro, etc., mas ele tentou escapar. Foi preciso lutar, agarrar, bater de novo.
Bem, não vou me alongar nos detalhes deste transe medonho. O fato é que a semana se passa, e, ao raiar do oitavo dia, o garoto já não está mais suando, nem com cólicas, nem trêmulo, nem com dores na barriga. Passou. A dependência química está cedendo.
Nesse dia, logo pela manhã, o rapaz acorda com um cheiro de café coado na hora, broas de milho, pão, manteiga e outras guloseimas. Uma mesa posta. Ele estava quase de jejum, e se mostra faminto.
Então o pai o surpreende: chega na sua cama com um sorriso e desata-lhe as cordas. Solta-o e convida-o para o café. Ele toma um banho quente e se assenta à mesa. Está mais animado, e chega a balbuciar algumas palavras monossilábicas, em resposta às tentativas de conversa do pai. Está despertando de um pesadelo.
No meio do café, num gesto brusco, levanta-se e corre para a porta. Num segundo, já está lá na porteira. Mas estranha que seu pai não esteja ao seu encalço. Olha para trás e constata que ele ficou parado, na porta da casa. Desconcertado e curioso, ele para e arrisca uma olhada, como que a perguntar: você não vai me prender?
O pai, entendendo a perplexidade do filho, grita de lá: “filho, Hoje você é um rapaz livre. Das drogas e de mim. Você volta para elas se quiser; volta para mim se quiser. Filho, não quer terminar o café?”

quarta-feira, 27 de março de 2013

Aniversário...

Texto publicado em 13 de março - comemoração do aniversário de um de meus irmãos - publicado em sua linha do tempo no Facebook.

Neste último domingo, tive a oportunidade de dar aula na Escola Dominical para a classe de crianças e no meio da aula resolvi cantar com elas uma música que eu aprendi quando criança. (Com a vassourinha eu vou varrer todas as tristezas do meu coração...)
Minha mente viajou no tempo... Galopando sobre o meu coração fui à vila simples onde vivi uma parte da minha infância na cidade de Caruaru - PE. Relembrei às vezes que fui a uma igrejinha, muito simples, mas que tinha um ambiente cativante e envolvente. Relembrei as primeiras canções infantis, as quais até hoje estão em minha mente. As primeiras histórias bíblicas contadas por fantoches produzidos de maneira muito simples, mas pra mim eles eram tão interessantes que eu não conseguia desviar a minha atenção e o melhor de tudo, no final dos encontros semanais ganhávamos doces e balas. Relembrei também que ao chegar em casa, ficava cantando as músicas com os meus irmãos menores, principalmente com o Luciano. Cantávamos e cantávamos diversas vezes as mesmas músicas, acho que foi essa repetição que me ajudou a guardar na memória todas as músicas por todo esse tempo.
Passaram se cerca de vinte e sete anos, a gente cresceu e quase já não cantamos mais juntos, às vezes tentamos o Luciano e eu, um dueto, mas sem muito sucesso. Rsrsrs. O melhor de tudo é que ficaram muitas lições gravadas em nossas vidas e apesar de todas as dificuldades que passamos Deus esteve sempre conosco. Nós não sabíamos, mas Ele estava lá, cuidando de nós e de todos os detalhes, guardando-nos e nos direcionando para um futuro melhor. Hoje, treze de março de 2012, o Luciano faz aniversário, trinta e dois anos de idade. O menino que passou por diversas situações em sua vida, cresceu, amadureceu e se tornou um homem e está a um passo de se tornar “doutor”. Que história em Lú você terá pra contar para os seus filhos, hien?
Assim como Deus cuidou de nós, supriu nossas necessidades no passado não muito distante, gostaria de dizer pra você neste dia tão importante pra você que Deus estará cuidando também do seu futuro.

Para mim o viver é...


Reproduzo na íntegra um texto de Ricardo Barbosa, por considerar muito enriquecedor. Além de saber que a história de Viktor Frankl é de fato surpreendente e encorajadora para os momentos mais difíceis. Vale a pena ler...

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905–1997), judeu, escreveu um impressionante relato sobre o tempo que passou nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Em setembro de 1942, ele e sua família (sua mulher estava grávida) foram levados para diferentes campos de concentração. Sua maior preocupação naqueles anos de sofrimento, sem ter notícias de sua família e sem saber se sairia vivo, foi encontrar algum sentido para a vida num ambiente dominado pela mais absoluta desolação. Foi diante desta experiência que ele disse: “Quem tem um porquê enfrenta qualquer como”.
Os temas mais importantes da vida só são considerados e refletidos com profundidade quando, por alguma razão, nos vemos privados deles. Somente quando sofremos algum tipo de perda é que reconhecemos o valor do que nos foi tirado. Assim é com a liberdade, a amizade, a fé, a esperança, a justiça.
Numa cultura tecnológica e pragmática, nos preocupamos mais com o “como” e menos com o “porquê”. Nós nos preocupamos mais com o gozar a vida e menos com seu sentido. A não preocupação com o porquê nos torna mais impulsivos e menos reflexivos. Mais vulgares e menos humanos.
Uma declaração do apóstolo Paulo que me impressiona -- e que tem me ajudado a refletir sobre o sentido da vida -- é o que ele diz aos cristãos de Filipos: “Para mim o viver é Cristo”. Quando penso que ele fez essa declaração de dentro de uma prisão, aguardando julgamento e com um futuro incerto, ela ganha um peso e significado enormes. É o porquê dando sentido ao como. Se tomarmos apenas a primeira parte da frase: “Para mim o viver é…”, como seria formulado o final?
Imagino que muitos diriam: “Para mim o viver é minha família”. Um bom sentido para a vida. Muitos reconhecem na família sua maior riqueza. Vivem para atender e suprir as necessidades daqueles que amam. Ter na família um porquê para viver pode ser um bom princípio. Outros talvez diriam: “Para mim o viver é o meu trabalho, a minha carreira”. Muitos encontram no trabalho um sentido para a vida. Vestem a camisa da empresa, sacrificam a saúde, o casamento e a família, sonham com promoções, bônus, viagens, prêmios, reconhecimento. Realizam-se na profissão. Outros diriam: “Para mim o viver é viajar, curtir a vida”. E por aí vai. Todos buscam, com maior ou menor profundidade, um sentido para viver.
Paulo escolheu Cristo como razão última de sua existência. Poderia ter escolhido carreira ou mesmo a família, mas reconheceu que, embora estas sejam realidades importantes na vida, não são suficientes para sustentar o sentido maior da existência humana. Mesmo estando preso e privado do trabalho e do convívio com as pessoas que amava, ele se alegrava com a possibilidade de pregar o evangelho de Cristo para os membros da guarda pretoriana. Cristo dava sentido não só à sua vida, mas também à sua morte.
Viktor Frankl descreve em seus relatos do campo de concentração que, além de sua fé em Deus, ele procurava manter viva a lembrança de sua esposa, com quem conversava em sua imaginação durante as longas marchas no inverno rigoroso. Ele dizia que o desejo de reencontrá-la dava-lhe ânimo. Quando terminou a guerra ele descobriu que sua querida esposa havia morrido de esgotamento -- além dela, perdeu seus pais e irmão.
Mesmo que a família e o trabalho sejam valores nobres e que nos enchem de significado, sabemos que podemos perdê-los, e o vazio que se segue é insuportável. “Para mim o viver é Cristo” transcende as realidades deste mundo e nos envolve num cenário que nos enche de sentido tanto na vida como na morte. Quando depositamos nossa confiança e esperança em Cristo, podemos afirmar, como Paulo: “Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia” (2Tm 1.12).
Nas palavras de Viktor Frankl, “pode-se tirar tudo de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas -- escolher a própria atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho”.
Ricardo Barbosa de Sousa

sábado, 23 de março de 2013

Para o heroísmo nascemos


Quando eu era criança vivia sonhando que podia voar. Queria ter super poderes. Escalar paredes dos prédios como o homem aranha. Queria voar como o Superman. Me esconder numa Batcaverna. Ter o escudo do Capitão América. Queria ter um Super Máquina. Queria ter uma moto do Ships. Queria ser um super herói.
Dai fui crescendo e minha concepção de herói foi mudando. Já não queria mostrar nenhuma associação com as personagens acima. Queria mostrar meu heroísmo através da minha rebeldia. Meus referenciais mudaram e mesmo ainda muito jovem (um menino) os meus heróis passaram ser os anti-heróis da sociedade.
Mas na minha rebeldia e falta de conhecimento, cerca de vinte e três anos atrás eu ouvi uma mensagem que balançou e mexeu com as minhas concepções. Uma mensagem que rasgava meu interior e que eu não conseguia sequer fitar o pregador, era Jesus, dizendo: "Se você quiser Eu posso te fazer um herói". Sem exitar, aceitei e comecei a buscar este heroísmo de uma maneira muito extrema. Passei então por outras fases... Queria ser um pregador famoso, daqueles que pregam para multidões. Queria ser um cantor. Queria ser músico e tocar numa filarmônica.
Mas Jesus me mostrou algo diferente disso. Com o Evangelho surgiram novos referenciais de conduta. Homens e mulheres cujos encontros e caminhadas de vida com Deus os tornam especiais. Pessoas comuns com as quais convivemos ou temos convivido em nossas comunidades, cuja paixão por gente nos constrange (às vezes até incomoda). Pessoas que se candidatam a um campo missionário que não significa necessariamente uma terra distante, podendo ser, por exemplo, o campo dos descamisados urbanos, dos párias ou até mesmo dos marginalizados no seio da própria igreja.
Esses homens e mulheres que por tantas vezes sentam-se ao nosso lado nas celebrações dominicais são nossos heróis contemporâneos, muito embora ignoremos essa possível menção honrosa e pública ou até mesmo suas presenças.
Contudo lá estão eles,  pra nos dizer, na maioria das vezes sem palavras, que a vocação para atos heroicos não é privilégio de alguns. É chamado de todos. Afinal, viver o amor até as últimas consequências, praticar a compaixão e a misericórdia, não deixa de ser uma postura heroica. Talvez anônima e quase imperceptível mas com certeza cativante e encantadora.

Você jamais se arrependerá disso...



Texto enviado ao blog de Ponte Rasa ll em comemoração ao Dia dos Pais


Recentemente estava indo trabalhar e reencontrei um amigo que não via há tempos. Estávamos no metrô e fomos conversando sobre muitos assuntos e muitas histórias do passado. Entre a conversa  me disse que ele e sua esposa estavam planejando ter um filho, só que não tinha certeza se era aquilo que realmente queria. Daí ele me perguntou como era a experiência de ser pai.
Bom... aí a conversa tomou outro rumo. Em milésimos de segundo fui absorvido por uma sensação diferente, afinal falar da paternidade e das minhas duas garotinhas não é tão simples.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ser pai

Parabéns Andrew Roger pela chegada de sua filha.

BEM VINDO AO CLUBE!

Ser pai...
Ser pai é deter-se diante do mistério da vida e ousar participar dele. É experimentar com sua esposa esse processo divino de gerar, de fertilizar, de semear. Depois, regar, cuidar, dar atenção e sonhar. É lançar a semente e colher, nove meses depois, o fruto desse amor, fruto inquietantemente aguardado.
Ser pai é aprender o desapego de si mesmo. É aprender a domar o selvagem egoísmo e o “eucentrismo” que urra dentro de nós. É deixar-se doer de amor por aquela pequenina criatura, parte de você, que fragilmente espera por seu cuidado e por sua atenção. É morrer para seus “purismos” mais impuros, para renascer genitor.
Ser pai é aprender que a cumplicidade mãe e filho é algo inestimável e por isso saber colocar-se, principalmente nos primeiros anos do pequenino bebê, no seu devido lugar. Nesse tempo o pai é especialmente protetor e contemplativo da relação intensa entre os dois: o que esteve dentro, no útero, e a que o acolheu, no útero. O pai, nessa época, é alguém como que de fora. Faz parte da relação, mas não partilha das primeiras revelações íntimas pós-uterinas. À medida que os dias avançam, integra-se de maneira igualmente intensa e amorosa na relação filial. Assim, ser pai é saber cuidar sem ser cuidado, descobrir o ritmo do afastar-se e do aproximar-se, isso tudo sem ferir a si mesmo e ao outro, como que tomado pelo desvanecimento da exclusão e da inferioridade. Ser pai é não exigir para si o protagonismo da história da vida.
Ser pai é ver os filhos crescendo ao redor e tê-los como amigos. Todavia, ao mesmo tempo, ser pai é não negar-lhes a bênção do ensino e da orientação, por meio de conversas, beijos, abraços, “varas” e repreensões. Não repreender com dureza e ternura é o mesmo que deixar o filho à solta, à míngua, sem parâmetros que o nortearão para toda a vida. E o pior, sem essa expressão de amor jamais a criança conhecerá profundamente o Deus que é todo amor e todo justiça. O pai que se omite na criação se omite no amor e no cuidado. O dinheiro pouco pode realizar nessa área do relacionamento.
Ser pai é ver o tempo passar velozmente, testemunhar as meninas se tornando moças tão belas, tão rapidamente e trazer consigo aquele sentimento de incompletude: “eu poderia ter feito mais por elas…” Ser pai é ser assim: totalmente felicidade, totalmente dúvida. Ser pai é indagar-se no paraíso.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Outridade

Ao procurar por mim mesmo,
vou vasculhar todas as referências de minha identidade,
fuçar os vestígios de minha existência
e percorrer a estrutura da construção do que sou
– ou ainda do que penso ser –
Eu sou, em grande parte, o maior objeto de minha curiosidade,
porque não sou um tipo, sou muitos, e ser muitos, confunde-me,
quando percebo que imaginava ser um, e não muitos
Como toda alma do homem, a minha também, as vezes,
demonstra-se uma mata, densa, espinhenta e escura,
que dificulta o acesso, a busca, o reconhecimento,
a cartografia de uma ilha avistada do alto, sem acesso de fato,
pois as pegadas em mim, se apagam a cada noite,
e não me acho, se me procuro em mim mesmo,
não é porque sou infinito, é porque sou labirinto, e me perco,
cada vez que, em mim, percorro caminhos
que não me levam a mim mesmo,
e não é que eu seja um deserto inabitado,
é que sou cidade super povoada, habitada por uma multidão,
que sou eu mesmo,
mas não sou, se apenas em mim sou,
No outro eu me encontro,
no outro está o que sou, no outro o meu reflexo,
o mais doloroso e desafiador – aquele que reage,
que me obriga não apenas ver como estou, mas também o que faço,
não apenas o que sou, mas também de que maneira consigo ser –
no outro, o eco, a reverberação, a força semântica da minha fala,
a flexão medida e desmedida, das palavras que emito... ou evito –
do outro volta a minha pergunta, em forma de resposta dada,
ou recusada, em silêncio frio,
como neve, que também serve, para me confrontar
A estrada que se traça no outro,
é caminho que leva ao meu encontro,
o que sou, sou, enquanto sou, na perspectiva do outro;
no outro, sou rio e terra, ilha e sombra, abrigo e trilha,
fora do outro estou ausente,
e essa outridade parece ser destino,
a queda encastelada da fortaleza de si mesmo,
parece revelar, enfim, o vasto campo da liberdade,
deste terreno que é outro, onde me encontro
No outro, minha esperança, em ebulição, sofre a emulação
que a mantém eterna, a cada dia;
minha existência se esclarece, minha devoção se justifica,
múltiplos caminhos se convergem, e seguem,
na invenção de tantos outros, que é outro;
o outro sou eu vendo a mim mesmo,
agindo sobre mim mesmo,
discernindo em mim mesmo a construção da estrutura
que é gramática em mim, escrita, para a interpretação restrita,
de quem de fato eu sou.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dúvidas, uma questão de fé...

A Dúvida faz parte de nossa vida.
C. S. Lewis fala sobre a dúvida de maneira interessante: "como saber se o gato está ou não dentro do armário, a própria razão sussura: vá e olhe". (Milagres. ed. Vida)

Quando era adolescente sofria muito, pois dentro de mim não haviam somente certezas a respeito das "coisas" de Deus, pelo contrário, existiam muitas dúvidas em meu ser inquietante. Pedia que Deus aumentasse minha fé, pois não queria ser um incrédulo. Hoje, já sou um homem e como o apostolo Paulo, digo que, quando era menino fazia coisas de menino, agora que sou adulto devo proceder de maneira amadurecida. A dúvida ainda me machuca algumas vezes, mas ela não exerce em mim tanta dor como antes. Confesso que ainda não aprendi a viver totalmente com ela, mas tenho à enfrentado arduamente  Hoje a dor vem não mais por causa da dúvida em si, e sim por causa dos descobrimentos que ela traz, é... às vezes a realidade é mais dura do que nós gostaríamos que fosse.
Hoje sei que a dúvida faz parte de nossa humanidade, diferentemente de como a religião a interpreta e, com exagero, a mistifica como algo demoníaco. Hoje sei, como afirmou Elienai Cabral Jr. em seu livro SALVOS DA PERFEIÇÃO que “não há pensamento sem a dúvida. Ela é a questão aflita que promove investigação e novas descobertas. Primeiro, desestabiliza o que já está estruturado e sobre o que calcamos nossas crenças, valores, projetos e esperança. Desestrutura a convicção que garante alguma segurança”.Naturalmente, o ato de duvidar não consiste essencialmente em negar uma realidade, mas significa refletir com racionalidade alguns modelos de fé que são pródigos de realidades divinas. No caso de Tomé, ele precisou tocar no corpo de Cristo para certificar-se da realidade. Por esse ato, Tomé fortaleceu ainda mais sua fé na realidade do Cristo ressurreto. Por outro lado, como interpretamos a fé?
Bom... aí esta questão fica pra outras postagens. Certo?
Angelo