sábado, 23 de março de 2013

Para o heroísmo nascemos


Quando eu era criança vivia sonhando que podia voar. Queria ter super poderes. Escalar paredes dos prédios como o homem aranha. Queria voar como o Superman. Me esconder numa Batcaverna. Ter o escudo do Capitão América. Queria ter um Super Máquina. Queria ter uma moto do Ships. Queria ser um super herói.
Dai fui crescendo e minha concepção de herói foi mudando. Já não queria mostrar nenhuma associação com as personagens acima. Queria mostrar meu heroísmo através da minha rebeldia. Meus referenciais mudaram e mesmo ainda muito jovem (um menino) os meus heróis passaram ser os anti-heróis da sociedade.
Mas na minha rebeldia e falta de conhecimento, cerca de vinte e três anos atrás eu ouvi uma mensagem que balançou e mexeu com as minhas concepções. Uma mensagem que rasgava meu interior e que eu não conseguia sequer fitar o pregador, era Jesus, dizendo: "Se você quiser Eu posso te fazer um herói". Sem exitar, aceitei e comecei a buscar este heroísmo de uma maneira muito extrema. Passei então por outras fases... Queria ser um pregador famoso, daqueles que pregam para multidões. Queria ser um cantor. Queria ser músico e tocar numa filarmônica.
Mas Jesus me mostrou algo diferente disso. Com o Evangelho surgiram novos referenciais de conduta. Homens e mulheres cujos encontros e caminhadas de vida com Deus os tornam especiais. Pessoas comuns com as quais convivemos ou temos convivido em nossas comunidades, cuja paixão por gente nos constrange (às vezes até incomoda). Pessoas que se candidatam a um campo missionário que não significa necessariamente uma terra distante, podendo ser, por exemplo, o campo dos descamisados urbanos, dos párias ou até mesmo dos marginalizados no seio da própria igreja.
Esses homens e mulheres que por tantas vezes sentam-se ao nosso lado nas celebrações dominicais são nossos heróis contemporâneos, muito embora ignoremos essa possível menção honrosa e pública ou até mesmo suas presenças.
Contudo lá estão eles,  pra nos dizer, na maioria das vezes sem palavras, que a vocação para atos heroicos não é privilégio de alguns. É chamado de todos. Afinal, viver o amor até as últimas consequências, praticar a compaixão e a misericórdia, não deixa de ser uma postura heroica. Talvez anônima e quase imperceptível mas com certeza cativante e encantadora.

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