terça-feira, 27 de julho de 2010

Flertando com o adversário: os evangélicos e a teologia liberal

Um traço intrigante de alguns movimentos religiosos é o fato de experimentarem transformações tão radicais ao longo de sua história a ponto de se distanciarem por completo de suas convicções iniciais. Um bom exemplo disso foi o que ocorreu com o puritanismo norte-americano. Originalmente comprometido com uma fé profundamente bíblica e uma espiritualidade fervorosa, algumas gerações mais tarde ele deu origem ao movimento unitário, fruto do racionalismo iluminista. Diversos observadores entendem que esse mesmo fenômeno está ocorrendo nos dias atuais com o movimento evangélico ou evangelicalismo, não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil. Consciente ou inconscientemente, segmentos evangélicos anteriormente conservadores, apegados à fé cristã histórica, estão aos poucos abraçando pressupostos e atitudes característicos do liberalismo teológico.

Antecedentes históricos
Até o século 18, o protestantismo atribuiu grande importância à inspiração divina, autoridade e suficiência das Escrituras, bem como a outras convicções decorrentes desses fundamentos, preservando as ênfases dos reformadores do século 16. Os princípios de “sola Scriptura” (somente a Escritura), “tota Scriptura” (toda a Escritura) e o direito de livre exame revitalizaram a igreja e transformaram sociedades inteiras. Todavia, com o advento do Iluminismo, surgiu a tendência de embasar a religiosidade e a fé em outras autoridades que não a Bíblia e os credos cristãos históricos. Inicialmente, foi entronizada a razão, concluindo-se que só podia ser aceito como verdade religiosa o que pudesse ser demonstrado pelo intelecto humano. É o que se denominou religião natural ou racional, cuja expressão mais conhecida foi o deísmo inglês.

Posteriormente, o filósofo alemão Immanuel Kant mostrou os limites da razão, relegando a religião ao âmbito exclusivo da moralidade (“razão prática”). Embora as realidades transcendentes fossem consideradas inacessíveis ao conhecimento humano, a crença em Deus foi mantida como um suporte para o viver ético. No século 19, Friedrich Scheiermacher, considerado o “pai da teologia liberal”, deu um passo adiante ao definir a essência da religião como o senso de dependência absoluta da realidade última. Agora, o critério da verdade passou a ser o sentimento, a experiência subjetiva. Ele também relativizou a importância do cristianismo, já que esse sentimento de dependência podia existir em qualquer religião. Outro grande forjador da teologia liberal, Albrecht Ritschl, apesar de ter atribuído maior valor à Escritura e à fé cristã, manteve a ênfase ética em detrimento das preocupações doutrinárias.

A segunda metade do século 19 assistiu ao pleno florescimento do liberalismo teológico, caracterizado pelo esforço de harmonizar o cristianismo com o pensamento, a arte e a ciência contemporânea. O campo em que isso ficou mais evidente foi o estudo da Escritura. A Bíblia passou a ser encarada desde uma perspectiva naturalista, sendo negadas a sua inspiração e autoridade divina. Ela deixou de ser vista como uma fonte de verdades eternas, sendo apenas o registro culturalmente condicionado das experiências religiosas do povo de Israel e dos primeiros cristãos. Jesus foi considerado simplesmente um ser humano com profunda percepção das realidades espirituais, um grande mestre moral e religioso. Esse personagem histórico nada tinha a ver com o ente divino-humano, operador de milagres e ressurreto dentre os mortos retratado nos Evangelhos, que teria sido imaginado pela igreja primitiva (“o Cristo da fé”).

Surge o evangelicalismo
No início do século 20, protestantes conservadores nos Estados Unidos ficaram alarmados com o avanço do liberalismo ou modernismo teológico. Como já havia ocorrido na Europa, a teologia liberal estava rapidamente ocupando espaços nas igrejas e nos seminários norte-americanos. Ocorreu nesse contexto a célebre controvérsia “modernista-fundamentalista”, na qual os conservadores afirmaram enfaticamente a necessidade de preservar as convicções cristãs históricas sobre as Escrituras e a pessoa de Cristo, que eles criam estar sendo solapadas pelas novas ênfases teológicas. John Gresham Machen, professor de Novo Testamento no Seminário de Princeton e o representante mais culto do movimento conservador, escreveu o livro “Cristianismo e Liberalismo” (1923), argumentando que os termos desse título se referiam a duas religiões inteiramente distintas.

Por defenderem doutrinas consideradas fundamentais para a fé cristã, os conservadores ficaram conhecidos como fundamentalistas. Infelizmente, alguns deles também começaram a insistir numa questão não essencial, o dispensacionalismo, e a manifestar atitudes intolerantes e cismáticas em relação aos que não concordavam com eles. O movimento então se dividiu, ficando de um lado os radicais, sob a liderança de Carl McIntire, e do outro, os evangélicos, mais moderados, liderados por homens como Harold Ockenga, Carl F. Henry e Billy Graham. Houve também uma versão européia do movimento, tendo à frente John Stott, J. I. Packer, Martyn Lloyd-Jones e Francis Schaeffer, entre outros.

O liberalismo clássico, caracterizado por seu imenso otimismo quanto à bondade inata do ser humano e ao progresso inexorável da humanidade, sofreu fortes abalos com a Primeira Guerra Mundial e a neo-ortodoxia de Karl Barth, mas conseguiu sobreviver. Embora muitos liberais fossem homens cultos e íntegros, sua teologia contribuiu para que boa parte das igrejas da Europa e da América do Norte perdesse sua identidade doutrinária, vitalidade espiritual e zelo evangelístico. Durante algumas décadas, os evangélicos ou evangelicais procuraram preservar esses valores por meio de suas igrejas, instituições e publicações. Todavia, a partir dos anos 80, determinados segmentos começaram a tomar rumos preocupantes.

O dilema atual
Autores contemporâneos como David Wells (“Coragem de Ser Protestante”) e Michael Horton (“Cristianismo sem Cristo”) têm soado um brado de alerta quanto a algumas transformações recentes do evangelicalismo norte-americano. Dois movimentos em especial geram apreensões: as igrejas norteadas pelo marketing religioso e as chamadas igrejas emergentes. Elas têm em comum uma forte ênfase antropocêntrica que torna os desejos, as necessidades e as experiências humanas o critério dominante da vida espiritual, e, em consequência disso, uma preocupação cada vez menor com doutrinas, com convicções claras e firmes.

Como sempre acontece, muitas igrejas evangélicas brasileiras têm sentido o impacto dessas influências procedentes do hemisfério norte. O evangelho da prosperidade e o pragmatismo religioso têm levado a uma preocupação com o sucesso, com números, em detrimento da integridade bíblica e teológica. Em muitos púlpitos já não se ouvem as doutrinas da graça, os grandes temas da Reforma do Século 16, e sim mensagens condescendentes de autoajuda psicológica. Afinal, é muito mais interessante ouvir um sermão sobre como ser feliz e bem-sucedido do que sobre o pecado, a justiça de Deus ou a santificação.

A falta de interesse por questões doutrinárias tem levado um bom número de igrejas e líderes a gradativamente abrirem espaços para a penetração de influências liberais. Há vários anos, denominações históricas outrora conservadoras vêm permitindo que instituições vitais, como os seus seminários, sejam controladas por corpos docentes de orientação progressista. Recentemente, até mesmo grupos pentecostais, na ânsia de encontrarem professores pós-graduados para seus cursos de teologia reconhecidos pelo governo e para programas de validação de diplomas, têm feito contratações levando em conta apenas a titulação acadêmica e não as preferências teológicas dos docentes. Em consequência, grande número de pastores e leigos têm ficado expostos a conceitos doutrinários muito diferentes daqueles adotados oficialmente por suas igrejas.

Conclusão
A mentalidade pós-moderna se caracteriza pelo pluralismo, o relativismo e o abandono de valores absolutos. No desejo de ser relevante, atual e sintonizada com o mundo, a igreja corre o risco de fazer concessões excessivas à sociedade e à cultura, comprometendo a integridade do evangelho da graça. Nesse contexto, a teologia é um dos recursos mais essenciais para a vitalidade do povo de Deus. Se ela for desprezada, a vida devocional, o culto comunitário, o senso de missão e o testemunho da fé perdem sua solidez e coerência. Por sua vez, sem olhar atentamente para a Escritura, a história da igreja e as contribuições do passado, a reflexão teológica se torna refém das opiniões subjetivas, dos modismos flutuantes e dos ditames culturais de cada geração. Que as igrejas evangélicas do Brasil possam retornar às suas raízes, à herança dos reformadores, aplicando-a com fidelidade, sabedoria e sensibilidade aos complexos problemas e carências dos dias atuais.

Alderir de Souza Matos

As escolhas morais de meninas nas igrejas

É interessante notar que os investigadores do comportamento humano nos oferecem excelentes contribuções no campo de desenvolvimento educativo. Algumas de suas investigações quando implementadas nos ajudan a ensinar a Palavra de Deus com eficicácia.

A Bíblia livro atualíssimo em psicopedagogia usa o termo pastor-mestre
(Romanos 12 e Efésios 4) denotando uma base relacional para o ensino bíblico. Afinal, um mestre é um pastor que ama e cuida de suas ovelhas. Eucir Feitosa ("Abordaje Relacional" Apostilas de SEPAL- Brasil) desenvolveu alguns princípios de una pedagogía relacional que satisfaz muito àqueles que se preocupan com aprendizajem. A Palavra de Deus, quando se leva em conta uma relação pessoal com o educando tem sua relevância em sua vida diária desenvolvendo assim um discipulado real. Donald Millar coloca que as relações são fundamentais para o desenvolvimento do indivíduo (Jack L. Seymour and Donald Miller et al “Contemporary Approaches to Christian Education” 1983:77). E, a pesquisadora Carol Gilligan acentua que as mulheres e as menimas dão muita importância a amizade, ao ponto que quando apresentadas com problemas morais, elas buscam soluções que mantenham bem suas relações com outros mesmo em detrimento do que realmente creem. Satisfazer aos demais em detrimento de seu próprio interesse muitas vezes resultam em dilemas morais resolvidos contra a Palavra de Deus; e, aquelas que fazem conhecer sua opinião são criticadas pela sociedade por serem assertivas, dizendo-lhes que actuam como homens (Carol Gilligan “In a Different Voice, Psychological Theory and Women’s Development” 1993:37a.edicion.: 164).

Como ajudar as meninas e adolescentes de nossas igrejas a fazer escolhas morais levando em conta o fator relacionamento, tão importante para elas? Como a pesquisa de Gilligan pode nos ajuda,r nas igrejas, no preparo de meninas e adolescentes femininas para que tenham uma base sólida de su fe?

1. Para que isso ocorra, devemos fortalecer sua relação com a pessoa de Cristo, que é a fonte de toda amizade e amor que buscam.

2. A educação cristã das meninas deve oferecer-lhes um escopo mais amplo, para que as relações entre elas sejam principalmente dentro da comunidade da fé. Esses relacionamentos fortes as ajudarão a viver como discípulas de Cristo em uma sociedade que cada vez mais exige compromisso de vida com Sua Palavra.

3. Os líderes de meninas e adolescentes podem criar um ambiente de confiança e lealdade com base na Palavra de Deus e ajudá-las a expressar suas opiniões com assertividade, mesmo que sejam contra a corrente da sociedade, sabendo que na igreja elas tem o apoio necessário em questões morais.

Concluímos, felicitando a esses líderes que tem seu ministério com base relacional em suas igrejas, criando uma comunidade segura para as jovens solidificar sua fé.

Sulamita Crabb

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Busque imortalidade

Russel Shedd

O inspirado apóstolo Paulo escreveu para a Igreja de Roma que Deus dará vida eterna para os que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade (Romanos 2:7). Entender bem o que esse trecho da Palavra de Deus ensina para, em seguida, praticá-lo é um desafio e tanto para aquele que toma a sério o que o texto diz.
A maioria dos evangélicos acredita que basta crer, ser batizado, freqüentar os cultos, fazer suas contribuições regulares aos cofres da sua igreja, para ser aceito por Deus. Esse texto de Romanos parece acrescentar algo mais. Uma vez que a “descoberta” da Reforma foi que a salvação se alcança unicamente pela fé, a declaração de Paulo parece contraditória. Para salvaguardar a integridade da verdade do Evangelho, quero oferecer algumas sugestões.
Primeiro, que a inclusão de fazer o bem faz parte integral da salvação de todos aqueles que abraçaram uma fé genuína. Fé viva, afirma Tiago, é demonstrada em obras, não apenas em palavras e boas intenções. Paulo acrescenta que as boas obras devem acompanhar a vida inteira do cristão fiel.
Segundo, o texto confirma que a esperança de receber a herança da vida eterna (imortalidade) é conseqüência de uma busca, mesmo depois de ter crido sinceramente nas verdades centrais do Evangelho e confiado no Senhor Jesus. “Buscar” significa mais do que apenas esperar. O autor de Hebreus colocou essa necessidade assim: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem a santidade, ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).
Terceiro, dá para se deduzir que a importância de buscar a glória e honra, que somente Deus pode conceder, reside no fato de que aquele que não busca não receberá esse grande galardão. Há perigo imensurável de imaginar que o Pai dará ao seu “filho”, descompromissado com qualquer valor do Reino, o mais precioso dos seus tesouros.
Não foi essa a lição que Jesus quis frisar em sua conhecida parábola dos servos e dos talentos? Os primeiros dois se esforçaram até dobrar o valor dos seus talentos, enquanto o servo mau e desobediente escondeu seu único talento no quintal. Quando o entregou ao dono, a reação foi imediata e contundente: “Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei... Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez... e lancem fora o servo inútil nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25:26-30 – NVI).
Uma vez convencidos de que a vida eterna pode ser recebida unicamente pela fé no Senhor Jesus, nos resta a tarefa de procurar o sentido de “buscar a glória e imortalidade”.
Pelo contexto imediato, concluímos que essa busca inclui a prática do bem, não apenas durante alguns dias em que estávamos motivados pelo primeiro amor, mas persistindo em fazer o bem durante toda a vida. A busca requer uma dedicação à vontade de Deus revelada na Bíblia. Paulo entendeu que seu apostolado se resumia no chamado de um povo dentre as nações “para a obediência que vem pela fé” (Romanos 1:5).
Alguém que se compromete com o serviço do seu Senhor deve saber o que este quer que ele faça. Paulo exorta os efésios a não serem insensatos, mas “procurar compreender qual é a vontade do Senhor” (Efésios 5:17). Esforçar-se para saber e praticar o que o mestre quer, sem dúvida, significa buscar a glória, isto é, sua aprovação. “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar...” (2 Timóteo 2:15 – NVI).
Quando Jesus declarou que ele edificaria sua igreja, não pensou em uma igreja que ajuntaria dois bilhões dos habitantes da terra que apenas se identificam verbalmente como “cristãos”, mas cujas vidas demonstram os mesmos valores e práticas daqueles que não professam qualquer lealdade ao Senhor Jesus.
O futuro do filho de Deus, salvo pela fé e guiado pelo seu Espírito, será muito melhor do que a imaginação humana pode contemplar. O futuro que aguarda aqueles que amam o Senhor de verdade e, por amor a ele, buscam sua vontade e sofrem para servi-lo, tem a garantia de uma recompensa de imortalidade repleta de honra e glória. Eles ouvirão as palavras de Jesus: “Bem feito, servo bom e fiel... entra tu no gozo do teu Senhor”!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cristianismo dos nossos dias

O cristianismo tem sido bastante criticado hoje em dia. Os cristãos parecem andar um pouco confusos em sua identidade, ou, em dar razão de sua fé. A incoerência entre discurso e prática pode ser ofensiva, além de desabilitar os empolgados e fazer cair em descrédito alguns perseverantes.

Nossa preocupação em "defender" Deus, como se ele precisasse e nós pudéssemos, pode nos fazer pouco interessados no próximo, além de relapsos ouvintes, nos descredenciando para um diálogo saudável e dificultando a criação de novos espaços na proclamação.

Chamou-me a atenção o que disse em recente entrevista um dos mais influentes historiadores vivos, Eric Hobsbawm, 92 anos, quando fez algumas ponderações a respeito das religiões.

Fiz um recorte para nossa reflexão: "Está claro que a religião está tão amplamente presente ao longo da história que seria um equívoco enxergá-la como fenômeno superficial ou que esteja destinado a desaparecer, pelo menos entre os pobres e fracos, que provavelmente sentem mais necessidade de seu consolo e também de suas potenciais explicações do porquê de as coisas serem como são. [...] Muitas religiões estão claramente em declínio. [...] A única exceção é o islã, que vem continuando a se expandir sem nenhuma atividade missionária efetiva nos últimos dois séculos. [...] Me parece que o islã possui grandes trunfos que favorecem sua expansão contínua - em grande medida, porque confere às pessoas pobres o sentimento de que valem tanto quanto todas as outras e que todos os muçulmanos são iguais. Mas um cristão não crê que vale tanto quanto qualquer outro cristão. Duvido que os cristãos negros acreditem que valham tanto quanto os colonizadores cristãos, enquanto alguns muçulmanos negros acreditam nisso, sim. A estrutura do islã é mais igualitária, e o elemento militante é mais forte no islã".

Por meio dos comentários desse tão respeitado historiador, somos provocados a refletir a respeito de nossa postura e prática. Podemos considerar, a partir da fala dele, que há ainda espaço para a religião e ela não pode ser descartada, ou mesmo, menosprezada. As religiões estão enraizadas na história da humanidade. E, se assim é, podemos nos perguntar como temos tirado proveito disso e procurado aprofundar os estudos e oferecer leituras do nosso tempo partindo da ótica cristã. Inclui-se aí, sobretudo, o tema da pobreza e do sofrimento e de como lidamos com tudo isso, sendo Deus soberano e amoroso.

Outro dado interessante ressaltado por ele é o crescimento do islã. Como pode uma religião ter a maior expansão "sem nenhuma atividade missionária efetiva nos últimos dois séculos"? Em seu argumento, Hobsbawm coloca que isso se deve à estrutura igualitária e à militância forte. Isso nos faz refletir sobre a razão de não termos mais gente engajada na missão, pessoas rendidas sem restrições ao senhorio de Cristo. Homens e mulheres que participem intensamente do Reino de Deus, percebendo-se como agentes de transformação, parceiros de Deus na história de salvação.

Será que um evangelho raso está sendo engolido, manco devido à sua parcialidade, e que é compreendido e aceito à medida que "funciona" para meu benefício próprio? Um evangelho exclusivamente para a vida privada, no qual faço escolhas a partir do meu gosto pessoal e meu bem-estar e se algo der errado recorro a Deus como uma espécie de magia a meu dispor?

Há uma infantilização da fé promovendo uma espécie de Peter Pan do reino (encantado). Esta doença nos faz continuar pensando eternamente como crianças, diferentemente do apóstolo Paulo, que testemunha ter vivenciado outros estágios em seu desenvolvimento (1Co 13.11).

Nosso jeito de viver não atrai ninguém para Cristo? Desconfio que, ao invés de atrair, permanecemos traindo ao nosso Senhor Jesus. Se Cristo não mudou nosso jeito de vivermos "cada um na sua e tão somente para si", é preciso rever quem é esse Cristo e ter clareza de sua falsidade. Parafraseando Paulo, "se alguém vier com outro 'evangelho', querendo perverter o evangelho de Cristo, perturbadores desejosos de mudar a mensagem de Jesus, saibam recusar, conscientizem-se de que esses tais não passam de malditos enganadores. Não se pode aceitar um evangelho diferente do que aquele pregado e ensinado pelo próprio Jesus. Afinal, isso seria uma perversão" (Gl 1.6-9). Paulo, naquele contexto, salienta o caminho da graça e explica que não há outro. Entretanto, hoje há oferta de outros evangelhos na praça, e um mais ensimesmado do que outro.

Há até castas, numa possível versão cristã, em nosso meio. Olha a que ponto chegamos. Um historiador, ao observar a postura dos cristãos e observar a postura de muçulmanos, conclui que estes últimos conferem às "pessoas pobres o sentimento de que valem tanto quanto todas as outras" enquanto os cristãos, não. Antes de querer atacá-lo, podemos aproveitar a oportunidade para avaliar nossa postura, verificar como de fato temos vivido o evangelho de Jesus. O Messias tanto ensinou e insistiu no amor e, conforme o apóstolo Paulo salienta, é preciso vivermos de forma cristalina que em nosso meio já não há hierarquias. Não pode haver diferenças no trato, criando privilegiados e desprezados. Não, "não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3.28).

Como já clamava, em 1989, o respeitado pastor John Stott, "na sociedade contemporânea existe uma grande necessidade de mais pensadores cristãos se lançarem ao debate público, assim como de mais ativistas cristãos organizando grupos de pressão a fim de promover uma obra de persuasão. Sua motivação deveria ser inteiramente cristã - uma visão do Deus que ama a justiça, a compaixão, a honestidade e a liberdade em sociedade, e uma visão do ser humano que, embora caído, foi criado à imagem de Deus e é, portanto, moral, responsável e tem uma consciência que deve ser respeitada".

A fraca atuação da igreja, ou mesmo a omissão em questões tão importantes em nossa sociedade, bem como nossa passividade frequente diante das injustiças sociais, têm feito pessoas ao nosso redor tamparem os ouvidos quando desejamos falar do amor de Deus. Têm também promovido a descrença quanto ao evangelho como poder de Deus para a salvação (Rm 1.16).

Podemos clamar juntos por misericórdia divina. Podemos orar para que o Espírito de Deus nos ensine a amar como Deus, encarnando em nossos dias o que Jesus - encarnação de Deus - nos ensinou.
Thais Machado

Presa da pressa

Os ritmos da vida variam nas estações existenciais. Ouvimos as fortes palavras do Eclesiastes: "Para tudo há uma ocasião certa; há tempo certo para cada propósito debaixo do céu" (Ec 3.1). Mas como compreender tal ponderação considerando nosso contexto atual?

Hoje em dia, um dos comentários mais comuns é sobre a falta de tempo para o muito que se gostaria de fazer. É fácil constatar os efeitos da má administração do tempo diante das pressões e desejos que nos alimentam. Em geral somos apressados, estressados e pouco saudáveis.
Por esses dias um comentário do escritor e colunista do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Heitor Cony, me chamou a atenção. Ele diz: "Continuo indeciso diante do universo virtual... embora utilize da internet diariamente, continuo achando que ela é poluidora, não no sentido ecológico, mas espiritual. Dá informações demais, excessivas, inúteis e redundantes. Mesmo a comunicação por e-mail, que aboliu o fax, o telegrama e a carta postal, transformou-se numa correspondência cultural e afetiva maciça e nem sempre sincera, refletida e consciente. [...] Como a roda, a internet apenas nos facilita o caminho. Mas não nos aponta um destino".

Mais do que aprofundar questões a respeito do mundo virtual, das influências da internet, teorias, temores e dúvidas; proponho considerarmos expectativas e frustrações, escolhas e posturas. Além do mais, talvez, como diz o economista e professor universitário Tyler Cowen, "a questão não é informação de mais, é filtragem de menos". Ou seja, é preciso pensar mais e melhor sobre quem está diante da máquina.
Em meio à vida que não para, como desenvolvemos nossa capacidade de ouvir, de perceber, de recusar, de avaliar, de fazer escolhas? Será que as prioridades permanecem perdendo para as urgências? Somos meras presas do relógio que, com seus ponteiros, apontam nossa escravidão e despertam chibatadas em nossa consciência?

Em que gastamos nosso tempo, em que investimos nossa vida? Como dizia o renomado rabino, Abraham Joshua Heschel: "Há um reino do tempo em que a meta não é ter, mas ser; não possuir, mas dar, não controlar, mas partilhar, não submeter, mas estar de acordo. A vida vai mal quando o controle do espaço, a aquisição de coisas do espaço, torna-se nossa única preocupação". Qual a qualidade de nossa vida, então? A caminhada com Cristo nos ajuda a atentar e refletir muito mais a respeito de detalhes, outrora desapercebidos. É a sensibilidade que o Reino de Deus promove em cada um dos seus.

Gosto de uma conclusão simples, porém poderosa, colocada pelo pastor Ed René Kivitz ao comentar Eclesiastes: "Viva longe de Deus e viverá longe de si mesmo; viva apenas para si mesmo e nem isso você conseguirá. O caminho cristão para a felicidade é aquele em que a palavra 'prazer' cabe na mesma frase que a palavra 'Deus'".

Há uma certa cultura da quietude que a vida de Jesus nos inspira e ensina. Ela pode ser um tratamento para a "patologia da pressa". Pode haver uma conversão mais profunda para aqueles que decidem parar e ouvir a Deus, silenciar e contemplar a presença divina, e substancialmente perceber-se pobre, perdido, desestruturado diante do Criador que tudo fez bem, com perfeição, no seu devido tempo. E sabendo o tempo certo, celebrou e ensinou a celebrar; parou e ensinou a parar; e em Cristo viveu e mostrou como viver.

Que os propósitos sejam compreendidos com maior profundidade em pausas na companhia de Deus. Que o silêncio meditativo, para além da pedagogia que ele pode trazer, trate nossas entranhas por se saber partilhado em Deus.
Thais Machado

Ensaios de um pensamento

"Valer-se de um evangelho de testemunho, sem a via da confissão fraternal, da vida eclesiástica comunitária, da interdependência e transparência cristã, desfecha e desencadeia um cristianismo resignado com as marcas de uma geração orfã de sentido, de uma ética e espiritualidade humanizadora e de um novo ser na existência humana."

Por alguns instantes, parei no espelho e escolhi remover a maquiagem das interpretações diárias. Ali, naquele banheiro, um reduto para a confirmação da fugacidade e puerilidade de sonhos, de conquistas e convicções. O silêncio ressoava mais um fenecer do dia. Passei as mãos na face e as lágrimas escorriam pelos desfiladeiros dos anos.

Pouco importou, devo confessar, os devaneios de idéias e verdades, num redemoinho de intrigas e dúvidas. Ousei, então, o convite de recomeços e alforriado das desculpas esfarrapadas e dos tolos remorsos, compreendi ou tenho compreendido que nem sempre, muito embora, esteja no momento certo, tudo funcionará conforme desenhado na prancheta.

Afinal de contas, viver tem um quê de mudanças não previstas e as decisões vão além de meros cálculos geométricos. Digo isso, porque, nesses critérios, há um imiscuir de emoções, de pulsações, de centelhas oníricas, de lágrimas petrificadas e de uma espiritualidade no limbo das incógnitas.

Sem hesitar, hoje percebo que estender as mãos pode ser a mais valorosa serventia; de que respeitar as fronteiras, constitui a mis singela postura de transparência e humildade. Talvez esteja, paulatinamente, a evitar de fazer o outro da cisterna das minhas desolações; de usar de maneira sórdida as fragilidades de histórias alheias a fim de provar uma estúpida capacidade de domínio, de poder e controle.

É bem verdade, as vezes, ou muitas, insisto no erro de querer ser o destino, a sorte e a realidade do próximo. Ao invés de, tão somente, partilhar e participar da vida. Deixar de lado os fardos das aparências, ter a coragem de abandonar as máscaras e, enfim, ser livre, caminhar pela liberdade e entoar o cântico libertário.

Ainda me falta, devo reconhecer, um ritmo cadenciado, uma melodia mais melíflua. Melhor assim, pelo menos aceitarei, sem nenhuma réstia de comiseração, o quanto sou semelhante e singular. Por fim, encerro essas palavras, esses ensaios de um pensamento e espero deixar a importância da amizade, do companheirismo e do próximo nas memórias e lembranças da nossa eternidade.
Por: Robson Santos Sarmento

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os opostos se atraem!?

Há os que dizem que os opostos se atraem.
No entanto, há opostos que, de forma alguma, se afinarão:
Que associação pode haver entre a justiça e a injustiça?
Ou que comunhão, da luz com as trevas?
Que harmonia, entre Cristo e o Maligno?
Ou que união, do crente com o incrédulo?
Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos?
Há opostos, que se unissem, seriam como se um ser humano se unisse matrimonialmente com um animal.
Ou seja, seria uma relação bestial.
Algumas buscas de relacionar alguns opostos, entre si, não passam de atos de insanidade.
Se alguém é de Deus como pode servir ao Diabo?
Se alguém está na Luz como pode produzir as obras infrutíferas das trevas?
Como alguém pode ser servo de Deus e de Mamom – o deus das riquezas?
Como ser guiado pelo Espírito e satisfazer as vontades pecaminosas da carne?
Como ser Templo de Espírito Santo e se dobrar diante de outros ídolos e não somente diante de Deus?
Que identidade pode haver da santidade com o viver pecando?
Como poderia a soberba destilar humildade?
Ou se é filho de Deus ou se é filho do diabo – não dá para ser filhos dos dois.
Ou se anda na luz, como Deus na luz está; ou se anda nas trevas, cujo príncipe é Satanás.
Ou se é santo ou se é profano.
Ou se é de Jesus ou se é do diabo – não há como servir os dois.
Nestes casos, os opostos, se atraem, como a dois inimigos que sempre se encontram , é para guerrear.
A vontade humana, quando se impõe, resiste à vontade de Deus;
O pecado sempre se oporá contra a vida em santidade;
As trevas nunca se casarão com a luz;
No santuário de Deus não há lugar para os ídolos e falsos deuses;
Os anjos de Deus nunca andarão de mãos dadas com os demônios;
O verdadeiro crente não abraçará a “fé” dos incrédulos;
Os salvos em Cristo não passarão a eternidade no mesmo lugar que os perdidos que não se arrependeram e não se converteram a Jesus.
Há casos, é verdade, em que percebemos harmonia entre opostos, mas nestes, acima citados, é impossível que se harmonizem, pois, nestes casos, só se sobrevive um; veja qual sobreviveu e encontrará o outro morto ao chão.
O “bem e o mal” só coabitam juntos na mente insana do pecador destituído da glória de Deus; isto porque ele só alimenta da “arvore do conhecimento do bem e do mal”, a qual fez com que ele se apartasse da “arvore da vida”.
O que comer da “árvore da vida” receberá só influências do bem; este terá os seus olhos da alma abertos e verá a luz irradiante romper e dissipar todas as trevas.
Não há como se deliciar com os frutos da “árvore do bem e do mal” e ter acesso à “árvore da vida”.
Cada um tem que escolher sobre de qual “árvore” vai se alimentar.
Portanto, estejamos certos, de que, há opostos que nunca, jamais, se harmonizarão.

Por: Paulo Roberto Pereira Da Cunha

Coisas que até os anjos desejam observar

Aquele que ler a Bíblia e achar que milagre advindo da aflição, não é sinal do cristão está lendo a Santa Escritura, mas não está compreendendo. O assunto tem estimulado filósofos, psicólogos e teólogos a pesquisarem centenas de testemunhos com aspiração sincera de se inteirarem sobre tão misteriosa graça pela provação.

O milagre existe e não importa quantas explicações tentemos fornecer. Mas junto com ele, o crente carrega a certeza da prova que sua fé terá que passar com Deus, porque Deus é o Deus da consolação dos santos.

Havia um crente cuja situação era conhecida de toda igreja pelo seu sofrimento. Apesar de ser um homem participante dos cultos e eventos, e intercessor nas orações, ha anos passava por uma situação difícil; levava a vida no “quase”- quase não tem isso, quase não consegue aquilo... Seu emprego era modesto, e pouco remunerado; o carro já com o designer vencido, precisava de uma boa manutenção. Contudo ele sabia que suas orações, não era fruto de uma alma ferida, e que, os nossos sofrimentos mais secretos são conhecidos de Deus, e no momento certo, Ele nos consolará para não desanimarmos.

Certo dia, um bom homem de situação financeira estável se converteu a Cristo em sua igreja. E, ele foi indicado para ser o seu discipulador. Em pouco tempo o bom homem se convalesceu da sua situação, e propôs aos irmãos, a idéia de juntos, comprarem um carro (em sigilo), e doar a ele. Logo surgiram em meio aos irmãos, várias idéias, uma das quais, que havia pessoas com mais necessidade que ele. Mas o bom homem insistiu na idéia, e foi ganhando adeptos.

Deus apoiou a idéia, e, os anjos torcendo, assopravam suas vuvuzelas nas alturas. Isso chamou a atenção de Satanás, que imediatamente entrou em operação. Dias depois, seu carro estacionado na porta da igreja, veio alguns homens e começaram a tirar fotos dele. Alguém correu e avisou: “irmão, agora a pouco tinha umas pessoas tirando foto do seu carro”. Ele ficou muito preocupado, achava que poderia ser do DETRAN, com finalidade de emitir uma proibição, impedindo seu carro de trafegar (o carro era muito velho mesmo). Coitado!

No serviço, todo muito notou sua tristeza. Apesar da vida difícil, ele não era triste, pelo contrário era resignado e às vezes até sorria. Quando perguntaram o motivo de tanta tristeza, ele disse que era a preocupação de achar que seu carro iria ser proibido de trafegar, pois haviam tirado fotos dele. Foi quando seus colegas, preocupados, revelaram que estavam organizando uma surpresa para ele. E, as fotos eram para serem enviadas junto com a carta para o programa do “Caldeirão do Huck da TV Globo”. Só tinha um porem, disseram seus amigos: “você terá que dança pra todo mundo ver”.

Ele ouviu tudo aquilo e ao invés de ficar alegre pela iniciativa dos seus colegas estarem querendo lhe proporcionar uma condição de ter um carro melhor, ficou mais triste ainda, e orou ao seu Deus: “Senhor, não deixe que eu venha a dançar nesse programa, não. Não deixe meu Senhor, que isso venha acontecer comigo. Livra-me Senhor”. Lembra quando o Satanás ofereceu a Jesus todos os reinos da terra, se Ele apenas se prostrasse aos seus pés? (Mt. 4:8-9). Pois é, o nosso crente sofredor rejeitou também. Aleluia!

Para essas pessoas sofrimento de crente não passa de vento, não sabe de onde vem. Qualquer idéia é uma boa idéia, para se sair dele. Enquanto isso a igreja já tinha comprado o carro novo, e programava o momento certo para fazer a entrega.

E, aconteceu que em sua casa, certa noite, atendendo um chamado, abriu o portão, e lá estava o carro cheirando a novo com laço de presente e tudo mais que tinha direito. Imaginem com que cara ele ficou... Quando disseram a ele. “irmão, nós viemos lhe entregar este carro de presente"

Essa história é verídica, e, se deu no seio da irmandade da Igreja Presbiteriana de Vinhais em São Luis – MA.

“Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é VITÓRIA” (autor desconhecido).
enviado por: Luiz Cledio

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O mundo é imperdível (Vale a pena ler)

I João 2:15
"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."

Não, não é verdade que o mundo é mesmo imperdível, refiro-me a uma propaganda de uma grande operadora de telefonia móvel de nosso pais, mais esta afirmativa serve-me como norte azimultico para refletirmos em algumas mudanças sócio comportamentais que o mundo e particularmente o Brasil vem adotando de forma sorrateira e sombria.O mundo e suas concupiscências, além de sedutoras são opressoras, nos seduz com bonita propaganda do inferno e seus prazeres; quando percebe que não aceitamos o lixo televiso, cinematográfico, pornossômico etc, então tentam nos oprimir para que não preguemos contra o pecado, tentam nos intimidar com ameaças morais e imorais. Não de hoje que estamos falando de evangélicofobia ou protestantofobia no Brasil. Com o neo-pós-moderno aperfeiçoamento do bullying, então fica cada vez mais difícil para os chamados não alinhados, estão tendo suas vidas devassadas, revolvidas; além do fato de no presente vivermos sobre a égide das escutas telefônicas clandestinas, chaveiros espiões, canetas, relógios, minicâmeras e microfones do tamanho de um alfinete mais com potencia de captação de um trio elétrico, dentro de nossas casas, pode ser que não tenha chegado na de vocês mais a minha já é vítima de escutas deste tipo, há algum tempo. Os bullyings não gostam que saibamos quem são eles ou o que estão fazendo, não gostam de ser denunciados ou descobertos aí apelam para expedientes mais sujos, tipo de se prevalecer dos cargos que ocupam, exemplo: governantes, ou coisa do tipo. Vocês sabem queridos leitores que cargo e dinheiro neste mundo fazem qualquer coisa é certo aquelas que Deus não aceita que tenham êxito , e que Deus por meio da aplicação da Justiça Divina nos dá livramento. Não, o mundo não é imperdível, as mortes de muitos servos do Deus vivo em defesa da Genuína Fé Cristã, entre os quais destaco o Servo de Deus que já esta nos átrios do Paraíso, William Tyndale que foi morto por inimigos de Deus em 1536 enforcado e depois queimado só por ter traduzido uma Bíblia, do Hebraico e do Grego para o Inglês, estamos vivendo novamente a batalha pela Bíblia que já foi queimada, perseguida e sofre ataques gigantescos, dos que preferem “acreditar nos deuses do absurdo”;ao crer em Deus como supremo criador do universo infinofinito, sim cada lei aprovada deve ser vista com muito cuidado pois por trás dela podem haver ataques terríveis a escritura e fé Cristã pura, exemplo: “O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) poderá sofrer mais uma alteração ao completar duas décadas. O governo federal prometeu encaminhar nesta quarta-feira (14) projeto de lei ao Legislativo que proíbe castigos corporais em crianças e adolescentes, como palmadas e beliscões.

Em seminário na Câmara sobre os 20 anos do ECA, celebrados neste dia 13 de julho, a ministra do Desenvolvimento social e combate à fome, Márcia Lopes, disse que a proposta pretende garantir que meninos e meninas cresçam livres de violência física e psicológica.

A sugestão do projeto de lei foi encaminhada ao governo pela Rede Não Bata, Eduque ; formada por instituições e pessoas físicas. Pelo texto, “castigo corporal” passa a ser definido como “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física, que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente”.Para os infratores as penas são advertência, encaminhamento a programas de proteção à família e orientação psicológica. Será necessário o testemunho de terceiros - vizinhos, parentes, assistentes sociais - que atestem o castigo corporal e queiram delatar o infrator para o Conselho Tutelar.”

Vejamos o que diz a Bíblia:” Provérbios 22:15 A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela. “ Não pensem meus leitores que esta lei da ECA é uma tentativa de proteger as crianças de surras e maus tratos pura e simplesmente; por trás disto está o precedente para tirar dos pais zelosos o direito de educar seus filhos, que se não disciplinados em casa serão disciplinadas nas cadeias fétidas e sujas do Pais, que tornam quem entrá-la mais bandido do que já entrou, o caso do goleiro mostra-nos aonde chaga uma família desestruturada e está lei é um ataque sim, a Bíblia, ao Cristão honesto e todos que tem e que deve educar seus filhos se necessário com palmadas sim; mais principalmente com exemplo de vida íntegra, pia e sensata, o Pai e a Mãe Cristã devem dizer as seus filhos faça o que eu faço porque é certo, é bom, é honesto e dá certo e você chaga no céus. Dizer aos filhos”, faça o que mando mais não faça o que eu faço é na maioria das vezes coisa de gente mal caráter, que acha mesmo que o mundo é imperdível. Nesta batalha pela Bíblia estamos lidando com um inimigo que nem sempre ataca, as vezes ele usa a própria Bíblia como arma contra ela mesma; só que não da certo ele fica envergonhado. Concordo com Amy Orr-Ewine quando ela diz: “ Mesmo não tendo lógica em certas partes do texto Bíblico, ainda assim ela é a Palavra de Deus”. Porque Confiar na Bíblia ? Editora ultimato cap 2 pag 52;

Vejamos o que diz: “Rigorosamente, é certo serem pouco numerosas as alusões diretas à inspiração das Escrituras e nenhuma se refere com precisão à autoridade de cada um dos livros em particular. Por outro lado, se excentuarmos Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Obadias, Naum e Sofonias, observamos que todos os livros do Velho Testamento são diretamente citados no Novo; e quando se toma em consideração a atitude do Novo Testamento em tais citações, poucas dúvidas nos restam de que expressões como esta: "Assim diz o Senhor", que encontramos na boca dos profetas eram aplicadas aos testemunhos da atividade profética, assim como às mensagens orais proferidas em determinadas ocasiões. A palavra escrita era tratada como forma categórica e inspirada em que se exprimia e transmitia o conteúdo da revelação divina.” Novo Comentário de Davis, falando sobre revelação vejamos algo importante sobre a Bíblia e seu efeito prático na vida de quem realmente aprende” Juíza Argentina se nega a casar gays mesmo que 'custe sua própria vida' France Presse ;
Publicação: 16/07/2010 14:00

Uma juíza de paz Argentina afirmou nesta sexta-feira (16/7) que jamais realizará o casamento de casais homossexuais, um dia depois de o Senado aprovar uma lei que autoriza essas uniões.

"Que me acusem do que quiser. Deus me diz uma coisa e eu vou obedecer n de lo que quiseram. Dios me dice una cosa y yo la voy a obedecer com todo rigor, mesmo que custe meu posto, e mesmo que me custe a vida, porque primeiro está o que Deus me diz", afirmou Marta Covella, juíza de paz da cidade de General Pico."Fui criada lendo a Bíblia e sei o que Deus pensa. Deus ama a todos, mas não aprova as coisas ruins que as pessoas fazem. E uma relação entre homossexuais é uma coisa ruim diante dos olhos de Deus", assinalou ainda. A Argentina se converteu na madrugada de quinta-feira no primeiro país da América Latina ao autorizarem o casamento entre homossexuais, com uma histórica e longa votação no Senado.A lei foi aprovada com 33 votos a favor, 27 contra e 3 abstenções, depois de uma sessão que durou mais de 13 horas e apesar da oposição da Igreja Católica, que liderou uma intensa mobilização social para impedir a aprovação do projeto.

A iniciativa, apoiada pelo governo peronista da presidente Cristina Kirchner, acabou por aprovar a lei que autoriza os casamentos gays, fazendo com que a Argentina se converta no primeiro país da América Latina a autorizar esse tipo de união em nível nacional e o décimo no mundo, depois da Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal e Islândia. A nova legislação visa a reformar o Código Civil mudando a fórmula de "marido e mulher" pelo termo "contraentes" e prevê igualar os direitos dos casais homossexuais com os dos heterossexuais, incluindo os direitos de adoção, herança e benefícios sociais.

A Igreja lançou na última semana uma forte ofensiva contra a lei e mobilizou na terça-feira milhares de seus fieis para pressionar contra sua aprovação.” Vejam que a Bíblia não foi a religião partícular, mais sim a Bíblia como palavra de Deus. Com isto quero aqui Parabenizar os Católicos Argentinos pela heróica e mesopotâmica luta contra esta aberração, que sirva de exemplo para os Católicos de algumas partes do Brasil; quem ao invés de lutar pelo bem da família lutam pelo divórcio e degradação dos casamentos.

Não, o mundo não é imperdível, perdi o mundo a mais de vinte anos e nunca fui infeliz com as perdas, mais ganhei a Cristo ou Ele me ganhou e cuida de mim desde então, não importa o que o diabo e seus demônios digam ao meus respeito, “ Mesmo Espírito testifica com meu espírito sou Filho de Deus” e nada nem ninguém vai mudar isto.
Joseano Laurentino

terça-feira, 20 de julho de 2010

20 de Julho - Dia do Amigo

Aos meus amigos um FELIZ DIA DO AMIGO.
Muito obrigado por vocês existirem na minha vida. Deus abençõe a todos.


Um amigo não deseja ser sempre lembrado, mas tem consciência que precisa estar sempre presente de alguma ou de outra forma.Um amigo não tem pretensão de ser o mais próximo, mas tem a educação de respeitar os espaços, inclusive o seu.Um amigo não é simplesmente um portador de más ou boas notícias sinceras, mas um elo oportuno para a solução de problemas.Um amigo não é "o cara" em conselhos, mas resume-se numa boa alma, muitas vezes imperceptível.Um amigo não é "o crânio" para tudo, mas tem sempre um olhar, um agir e um falar sábio, que não se encontra em qualquer esquina.Um amigo não precisa de falas de elogios, mas de pouquíssimos agradecimentos verdadeiros.Um amigo necessariamente não é uma referência, mas está no mesmo barco, remando e olhando para o farol e a bússola, a fim de encontrar o rumo certo.Um amigo sofre e ri junto, ajuda a se chegar a uma conclusão conciliatória, mas não abre mão de seus princípios.Um amigo não se convence só porque é amigo, mas discute os argumentos, mantendo a serenidade e a elegância.Um amigo caminha do lado, mesmo que do seu lado seja calçamento e do outro um asfalto.Um amigo ora e fala, depois ora e ora.Um amigo aponta para Cristo, depois olha para Deus, e em seguida, escuta o Espírito Santo.Um amigo não quer os melhores locais, mas estar na porta de entrada.Um amigo quer ser simplesmente um amigo, pois sabe que tem uma pessoa bem melhor, em todos os sentidos da vida: - Jesus, melhor que todos e maior que tudo! Esse sim, é o amigo.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Meu filho é Homem. E agora?

Meu nome é Joquebede, que quer dizer “Jeová é a minha glória”. Tenho algumas lembranças muito tristes, como o estupro de minha tia Diná e a vingança cruel que meu pai Levi e meu tio Simeão infligiram aos siquemitas. Sou casada com Anrão, que é meu sobrinho. Para mexer comigo, meu marido, de vez em quando, ele me chama de tia. Somos tementes a Deus. Acabamos de sair do Egito e estamos acampados ao pé do monte Sinai. Faraó custou a nos deixar sair e só o fez depois de grandes manifestações de julgamento da parte de Deus. Meus filhos Moisés e Arão
foram os instrumentos que Deus usou para nos retirar do Egito. Nosso destino é Canaã, a terra que mana leite e mel, prometida aos nossos antepassados Abraão, Isaque e Jacó, que a percorreram de ponta a ponta. Estou bem avançada em anos. Não sei se chegarei até lá. Mas sinto-me realizada e profundamente grata a Deus por todos os seus benefícios. Salvo do genocídio
Estou me lembrando agora de quando fiquei grávida pela terceira vez, há oitenta anos. A essa altura já tínhamos uma filha e um filho: Miriam e Arão. Os tempos eram muito difíceis. Faraó começava a apertar o cerco contra nós. Não valia a pena colocar mais filho no mundo. Anrão e eu evitávamos o relacionamento físico naqueles dias em que certamente poderia ocorrer uma gravidez. Mas houve um lapso e fiquei esperando um bebê. Orávamos diariamente para que fosse uma menina, porque Faraó havia ordenado a matança pura e simples de qualquer criança do sexo masculino nascida entre os hebreus. Era uma questão de segurança nacional, justificava o rei do Egito. Achamos por bem esconder a gravidez. Então passei a usar roupas ainda mais largas. De vez em quando uma comadre me dizia que eu estava engordando e eu, naturalmente, concordava com ela para encerrar a conversa o mais rápido possível. O parto foi bem discreto: meu marido mesmo cuidou de mim. Não era a menina que havíamos pedido insistentemente a Deus, mas um menino robusto e formoso. Todos nos entreolhamos e assumimos a situação. Como ninguém sabia da gravidez, resolvemos ocultar também a própria criança. A tarefa não foi fácil. As fraldas eram lavadas e estendidas dentro de casa para não chamar a atenção das pessoas. Acho que nenhum recém-nascido tomou tanto mel quanto esse nosso filho: mal ele começava a chorar, Miriam pingava uma gota de mel na boca do garoto. Se insistisse no choro, a família inteira entoava o mais alto possível os cânticos do Senhor. Éramos conhecidos como a família cantante. Não podendo escondê-lo por mais tempo, calafetamos com betume e piche um pequeno cesto de junco e nele colocamos o menino, então com 3 meses de idade. Eu mesma levei o cestinho e o larguei no carriçal à beira do rio Nilo, nas proximidades do sítio onde a filha de Faraó costumava banharse. Era um lugar mais ou menos seguro, longe da correnteza, a salvo dos crocodilos, da famosa tilápia nilótica (que chega a pesar 90 quilos) e do peixe-elétrico (que é capaz de produzir uma descarga de 300 a 400 volts). Meu medo maior era de um tipo de cobra venenosa chamada naja haie, comum no Egito. Mas todo o nosso plano foi preparado na presença e na dependência de Deus, com muita oração. Desde o nascimento do menino, tive o pressentimento de que ele era formoso também aos olhos de Deus. Voltei para casa e deixei Miriam nas proximidades do lugar onde o menino ficara. Deus fez infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos. O plano deu certo. A filha de Faraó desceu ao rio dos rios e logo viu o estranho cestinho. Curiosa, ela mesma o tomou e o abriu. Meu filho chorava — estava molhado de xixi, com fome e sem as gotinhas de mel de Miriam — e a princesa se ligou imediatamente a ele. Ela era uma das sessenta filhas de Ramessés II e se chamava Merris. A jovem logo percebeu que o menino era filho de hebreus e o adotou. Nesse momento, Miriam entrou em cena e se ofereceu para chamar uma mulher hebréia para amamentar a criança até o desmame. A princesa deu o seu consentimento — afinal o garoto estava morto de fome e chorava sem parar. Minutos depois, lá estava eu com meu próprio filho ao seio, sem que Merris soubesse que eu era a mãe dele. Por ironia da história, até recebi salário para cuidar do menino. A filha de Faraó deu-lhe o nome de Moisés, que significa “salvo das águas”. Só então percebi que nossas orações devem ser flexíveis e inteiramente sujeitas à vontade e à sabedoria de Deus. Felizmente, o Senhor não as ouviu ao pé da letra, quando lhe pedíamos que viesse uma menina e não um menino. Além de alimentar Moisés e lhe dispensar outros cuidados físicos, transmiti-lhe as primeiras impressões e informações recebidas de nossos ancestrais sobre Deus e sobre o nosso povo. Porém ele foi educado em toda a ciência dos egípcios. Tornou-se um homem poderoso em palavras e obras. Aos 40 anos, ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó e se identificou conosco, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado. Abandonou o Egito e permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível. Mais tarde, já casado e com dois filhos, Deus lhe apareceu na terra de Midiã, numa chama de fogo, e o comissionou para liderar o êxodo de Israel. Ao voltar ao Egito, aconteceu uma coisa terrível: Deus veio ao seu encontro numa estalagem e o quis matar. Pode parecer muito estranho o Senhor querer destruir o instrumento que Ele mesmo escolheu, preparou e equipou. Moisés e Zípora, sua mulher, logo entenderam que tratava-se de uma advertência divina para que eles circuncidassem os filhos, cumprindo assim “o sinal da aliança” dado por Deus a Abraão e aos seus descendentes. Quanto ao êxodo e à nossa viagem até aqui, ao pé do monte Sinai, privo-me de narrar todos os fatos para não me alongar demais. Há vários dias, Moisés se encontra no alto do monte de Deus. Aqui embaixo há uma certa inquietação e uma movimentação que começa a me preocupar. Estou orando muito por Arão, três anos mais velho que Moisés. A responsabilidade dele é muito grande.
Elben M. Lenz Cézar (Deixe que elas mesmas falem)

sábado, 17 de julho de 2010

O PODER DA UNIDADE

Grande ironia. É justamente do projeto da torre de Babel que extraímos grande ensinamento para o "projeto de construção" da igreja. Aqueles queriam construir uma cidade com uma torre que chegasse até o céu. Pretendiam ficar famosos e se precaver de uma outra chuva forte, e põe forte nisso, que os espalhasse pelo mundo.

Vários erros de projeto: a pretensão de chegar ao céu, pois no céu a gente só chega levado por alguém que é do céu; a motivação de empreender para ter um nome, pois a gente não faz para ser, a gente faz porque é; e, a pretensão de correr para o céu para fugir da terra, pois o máximo que podemos fazer é trabalhar para a terra mais parecida com o que imaginamos seja o céu.

Erros comuns ainda hoje. Ainda tem gente achando que o reino de Deus é levado adiante pelo mérito e esforço humano, sem o concurso da graça de Deus; ainda tem gente que acredita que sua identidade depende de suas conquistas e realizações; e ainda tem gente cujo projeto de vida não inclui a terra, mas apenas o céu, isto é, não é um projeto de vida, é um projeto de morte.

Mas apesar dos erros, é em Babel que Deus se pronuncia revelando um dos maiores segredos do sucesso de qualquer empreendimento histórico e coletivo: "Essa gente é um povo só, e todos falam uma só língua. Isso que eles estão fazendo é só o começo. Logo serão capazes de fazer o que quiserem". Unidade. Eis o segredo. Unidade no entendimento, no projeto, no processo, nos esforços. Talvez daí o mote dos militantes: "o povo unido jamais será vencido". Semelhante ao que disse Jesus: "uma casa dividida contra si mesma não prospera".

A fragilidade da igreja evangélica no Brasil, em boa medida, se explica daí. No lugar de unidade, dispersão; de cooperação, competição; de soma e multiplicação, subtração e divisão; de sujeição mútua, difamação; de uma só língua, muitos sonidos incertos; de um só coração e mente, muitas caras, e caras de gente que mente.

Eis porque é imprescindível uma parada para ouvir novamente a voz de Deus. Separar um tempo para reavaliar a identidade, a caminhada, as aspirações e os sonhos para o futuro. Desacelerar a agenda de atividades para abrir espaço para a reflexão e a devoção comunitária. Que igreja somos nós? Que igreja queremos ser? Aliás, que igreja Deus quer que sejamos? Em que fase estamos do projeto? Quem são os pares no empreendimento? Em que proporção caminhamos em unidade, falamos a mesma língua e rumamos na mesma direção? Quão informada está a caravana a respeito da viagem? Falamos todos a mesma língua? Enfim, estamos em unidade. Unidade com Deus, e unidade entre nós.

"A igreja é você quem faz". Aqui, estamos construindo uma igreja. E não uma torre. Não queremos chegar no céu. Queremos chegar até os confins da terra para fincar bandeiras e declarar "o reino de Deus chegou". Queremos ser um povo só, falando um só língua. E acreditamos que tudo quanto fizemos foi apenas o começo. Esperamos que Deus coloque em nossas mãos o que ainda falta do "projeto impossível" e faça de nós um povo capaz de fazer qualquer coisa.

Aba, Pai

Osmar Ludovico
Jesus se sentiu de tal forma e com tal intensidade vinculado a Deus, que só conseguiu expressar-se utilizando a categoria da filiação. Ele se dirige a Deus chamando-O de Aba, palavra aramaica que os tradutores não ousaram tocar, não conseguiram outra para expressar todo seu conteúdo. Aba – baba nas línguas semíticas, papa nas latinas, dada nas anglo-saxônicas – é a forma carinhosa com que a criança chama seu pai, vocábulo primitivo, que o nenê balbucia. Somente a palavra Aba consegue transmitir o que Jesus Cristo sentia quando olhava para Deus.
Aba é uma das palavras mais densas de todo o Novo Testamento. Ela nos revela esse mistério íntimo e supremo da relação de Jesus com Deus. Jesus invoca a Deus com esse termo denotador de familiaridade e intimidade absoluta. Com essa palavra é possível abrir uma pequena fresta no mistério de Deus. Uma fresta que nos permite deslumbrar a ternura, o cuidado e o afago de Deus. Jesus Cristo chama Deus de Pai, Aba, Papai, Painho.
Ao chamar Deus de Pai, Jesus nos revela o segredo de Seu ser único. Assim, o Deus vivo e verdadeiro, o criador do universo, a quem não vemos, é o Pai de Jesus Cristo. O Deus Altíssimo, o Todo-Poderoso, passa a ser definido como o Pai de Jesus.
Lemos no Evangelho de João que Jesus diz: “Eu e o Pai somos um” (10:30), e ainda: “Ninguém jamais viu o Pai, o Deus unigênito, que está no seio do Pai que o revelou” (1:18). Felipe pede a Jesus: “Mostra-nos o Pai”, e Jesus responde: “Quem vê a mim vê o Pai” (João 14:8-9).
Assim, podemos dizer que Deus Pai escolheu se revelar por meio de Cristo, e isso tem dois desdobramentos:
• Da parte de Deus, Ele se revela a nós tão-somente por intermédio de Jesus Cristo.
• Da nossa parte, só podemos conhecer e nos relacionar com Deus por meio de Seu Filho Jesus Cristo.
Deus é revelado ao homem essencialmente na lógica do amor, da ternura, da proteção. Pai é aquele que gera, que cuida, que protege, que carrega, que dá direção e limites, que educa, que lança para a vida. Um Pai com muitas coisas de mãe, que tem carinho, colo e afago.
Toda a experiência humana de Jesus Cristo em relação a Deus como Filho, toda Sua vivência de dependência, vínculo, proximidade, intimidade pode também ser nossa pela adoção.
Pois, quando nos convertemos, nos tornamos filhos de Deus: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome” (João 1:12). Ou ainda: “E porque sois filhos enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho que clama Aba Pai, de sorte que não és escravo, porém filho e sendo filho também herdeiro de Deus” (Gálatas 4:6).
A filiação é a nossa identidade no mais profundo, no âmago. Quem somos nós? Somos pecadores a quem Deus fez Seus filhos amados. Essa convicção profunda, testificada no nosso coração pelo Espírito Santo, gera uma profunda alegria – a alegria da afirmação de nossa identidade.
A oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos começa com Aba, Pai e expressa uma invocação cheia de afeto, júbilo, louvor, alegria, submissão, intimidade e respeito. Quando invocamos a Deus como nosso Pai, o discipulado passa a ser visto na ótica da filiação.
Os seguidores e discípulos de Jesus Cristo são vistos como filhos, e a comunidade cristã é vista como família de Deus. Então, a caminhada de fé passa a ser permeada por essa relação de paternidade, filiação e fraternidade. Um relacionamento marcado por essa proximidade afetiva de Deus para com os discípulos que se tornaram Seus filhos e irmãos entre si.
A queda nos lançou numa terra distante, e se converter significa voltar para a casa do Pai, como fez o filho pródigo. Um Pai amoroso que nos acolhe sem restrições e pelos méritos da cruz de Cristo nos perdoa, nos abraça e faz festa.
Nossa filiação é a grande afirmação do Novo Testamento, e Aba Pai é a expressão mais exata para traduzir em nosso mundo a experiência que temos com Deus. Estamos reconciliados com nosso Pai Celestial.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

1.000 Visualizações

Olá pessoal,
hoje 15 de Julho embora a maiora das pessoas não saibam é comemorado o dia do homem. Tudo bem, não somos consumistas, não somos influenciados pelo sistema capitalista e exercemos nosso direito de escolha de maneira muito sábia. Será isso mesmo? Tudo bem, tudo bem. Discutir o livre arbítrio não é neste momento o motivo desse email.
É que hoje, passamos a marca de 1.000 acessos ao blog Pensamentos de Deus, sei que isso é pouco mas é sempre bom celebrar com os amigos as nossas pequenas conquistas e realizações. Afinal muitos de vocês contribuiram com textos e reflexões, então... parabéns a todos. E já que nosso foco o pensamento e a reflexão gostaria de deixar a todos um texto de Robson Cavalcante que reflete nosso momento histórico...

A crise da modernidade tem feito a Igreja voltar à pré-modernidade: ao dogmatismo e ao misticismo, ao mundo mágico-mítico medieval, com um “Cristo” débil, demônios fortes e anjos importantes. A teologia da prosperidade, a teologia do domínio (reconstrucionismo), a batalha espiritual, com seus “demônios territoriais” (geopolítica infernal) e suas “maldições hereditárias”, nos enchem de justificadas preocupações.
Não podemos reduzir a Igreja a um clube religioso de iguais, que se refugia do mundo, põe a fé em um compartimento e espera a morte e o além, enquanto promove entretenimento e espetáculos alienantes, sem profundidade e sem visão.
Se quisermos ser honestos para com Deus e para conosco mesmos, teremos de reconhecer a distância entre o ideal e o real em nossos dias e a ausência de consciência e de desejo de mudanças. Sabemos que, sem compromisso com o reino, a Igreja não é Igreja, que o reino caminha pela afirmação de valores, e que não há reino sem cruz.
Entre nós, o materialismo, o ateísmo e o agnosticismo, que nunca foram fortes, praticamente desapareceram. O ocultismo e o esoterismo vivem um momento de perversa pujança. O mercado religioso explode, com seitas, cultos e igrejas para todos os gostos.
Já tivemos uma religião oficial (a católica romana, até 1889), uma religião hegemônica ou “oficiosa” (a mesma romana), e agora vivemos a tumultuada travessia para o multiculturalismo religioso e o pluralismo eclesiástico, sem que grande parte dos nossos líderes pareçam preparados para tanto. O quadro se nos afigura como caótico, desordenado, anárquico até, com a multiplicação de “microempresas religiosas” (Eu & Deus Ltda.), sob líderes autoproclamados, imaturos, pretensiosos, intolerantes e vaidosos.
As novidades esdrúxulas de origem norte-americana são acriticamente aceitas como válidas. O legado da Reforma parece ter-se perdido.
A Bíblia e a tradição viva dão lugar ao experimentalismo individualista e aos espetáculos coletivos, com seus profissionais. O liberalismo/modernismo está morto. A teologia da libertação é uma pálida memória para abraçadores de árvore. Roma, alegre e perplexa com a derrocada do comunismo e a ascensão do materialismo hedonista, redescobre os pecados do “lado de cá” (capitalismo). E o protestantismo balança entre o imobilismo, o aprisionamento
às fórmulas e formas do passado e o rompimento infeliz com suas raízes, arrebentando com a sua identidade. Temos funcionado como expressão ideológica de uma classe (a burguesia), uma civilização (o Ocidente), uma raça (os brancos), uma cultura (a anglo-saxônia) e um modo de produção (o capitalismo), cujos valores, estilo de vida e moral são identificados, equivocadamente, com o próprio cristianismo. A nossa “disciplina”, com seu controle social e seu enquadramento coletivo intolerante, está a serviço dessa cosmovisão e desse projeto.
Com o poder político constituído, tem-se relacionado de forma subserviente, trocando favores, em aproximação com os grupos dominantes e opressores, na bajulação de César. Na caça às almas isoladas e descarnadas, não se tem uma proposta transformadora de promoção social e de cristianização macroestrutural.
Com o apelo egoísta às bênçãos materiais, obstaculizamos a vida de simplicidade e de serviço como ideais cristãos. A falsa sacralização do estrangeiro nos aliena do Brasil e nos torna estrangeiros em nossa própria pátria. O nosso patrulhamento moralista bloqueia a afetividade, mata o amor, tornando a agressividade e a chatice terríveis marcas dos que seriam atingidos pela graça. Não há saída sem que se debruce sobre as páginas esclarecedoras da história da Igreja, sobre a totalidade das páginas das Sagradas Escrituras, sem que se reconheça a diversidade legítima no interior do povo de Deus, sem que se elabore uma eclesiologia da valorização da Igreja e da sua unidade, sem que se busque o esclarecimento e o poder do Espírito Santo para ser sal e luz, motores da história, transformadores da civilização. A saída pressupõe a superação da estreiteza de mente. O estado da Igreja no mundo é preocupante, mais do ponto de vista qualitativo do que quantitativo. O quadro brasileiro não é dos melhores. Assumir essa realidade comprometer-se diante de Deus com a sua mudança é sinal de uma fé obediente que quer tornar o evangelho relevante a esta geração.

Do fanatismo nosso de cada dia

Há algumas semanas li um texto em meu Pequeno Grupo; pareceu-me tão edificante, que quis compartilhá-lo.

Por coincidência, o estudo da noite era Apocalipse 3, 15-16: não se deve ser morno. Devemos buscar igualar nosso viver ao de Jesus, ou seja, devemos ser, em plenitude, compassivos, éticos, responsáveis, humanitários.

Porém, já durante a leitura percebi ser olhada como se eu estivesse proferindo blasfêmias das mais horrendas.

Ao final da mesma, algumas das presentes elogiaram a verdade ali contida, mas houve quem ainda mais se horrorizasse com tal atitude, qual se, num repente, estivéssemos defendendo um bacanal ou algo semelhante. A oração com a qual a reunião foi encerrada, foi um verdadeiro exorcismo, uma súplica a Deus para que tivesse piedade dos infiéis e lhes falasse ao coração.

Sei que vivo numa cidade muito peculiar. Aqui, ser evangélico é modismo. E os membros dessa estranha seita (sim, porque ser cristão é bem diferente do que tenho visto) formam uma máfia, onde todos se acobertam e são adeptos fiéis da lei de Gérson. Se compete a um evangélico uma seleção de pessoal, os de sua igreja serão os preferidos, não importa se seus currículos não estejam de acordo com a necessidade; e por aí vai.

Semana passada, uma senhora precisava de doadores de sangue para a cirurgia de sua mãe. Pedi a um “irmão” e por resposta, a pergunta: Mas ela é evangélica? Ou seja, se não for, dane-se!

Deixo bem claro, que há exceções. Mas são poucas. Tanto da parte dos pastores, como das ovelhas.

O que aqui impera, é o fanatismo, a hipocrisia, a absoluta falta de cultura, de discernimento, de espírito cristão. Em cada esquina, um templo. Há uma compulsão por erigir igrejas, que causa espanto – já o edificar homens...

Como há a compulsão por determinar que nós somos salvos e os demais, sem exceção, condenados ao fogo do inferno.

Um bom missionário, um cristão autêntico, tem aqui um campo fértil!

Mas vamos ao texto, que é um breve relato entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama, narrado pelo próprio teólogo:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

'Santidade, qual é a melhor religião?'

Esperava que ele dissesse: 'É o budismo tibetano' ou 'São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo'.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos – o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia contida na pergunta – e afirmou: 'A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito. É aquela que te faz melhor.'

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

'O que me faz melhor?'

Respondeu ele: 'Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético. A religião que conseguir fazer isso de ti, é a melhor religião.'

Calei maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Não me interessa, amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião. O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo."

O Deus no qual eu creio, é amor e misericórdia. E isso me faz crer que, salvo, é todo aquele que vivencia esses princípios. Creio em Jesus com toda a extensão do meu sentimento, da minha verdade. E por conhecê-Lo, vejo seu sacrifício estendido a cada ser dito humano. Até porque, Ele jamais criou qualquer denominação religiosa e nos deixou um único mandamento: A Deus, sobre todas as coisas – e ao próximo, como a mim mesma.

Estou desistindo de ser crente, evangélica, católica, muçulmana, espírita, judia, ou o que mais for.

Que Deus me ajude a ser, tão somente, CRISTÃ! Então, salvarei ovelhas no sábado, sentar-me-ei à mesa com os que não fazem ablução, conversarei com as prostitutas. Talvez, assim, eu também possa ser uma luz no mundo.

Paz em Deus!
Patricia Neme

Única oportunidade

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. Gênesis 6:11-13.

A vida nos oferece várias oportunidades, umas são aproveitadas, outras não, quando perdemos uma oportunidade que julgamos valiosa, temos diversos aborrecimentos. Se alguém vai fazer uma viagem a negócio, e perde o único meio de transporte para chegar a seu destino, as perdas podem ser irreparáveis. Mas imagine perder a única oportunidade que lhe apareceu.

Uma única oportunidade.

Foi o que aconteceu nos tempos de Noé, quando as pessoas tiveram a oportunidade de entrar na arca para assim escaparem da condenação. O que acontecia é que muitos zombavam de Noé, por construir uma arca, se preparando para algo o que nunca tinha ocorrido, a chuva. Hoje, a história parece se repetir, pois ninguém acredita no retorno do messias, anunciado pela Igreja. Certo dia a porta da arca foi fechada. Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. Gn 7:1. Podemos ver que, o que fez de Noé o construtor da arca que iria salvar sua família, foi ser justo diante de Deus, no texto acima podemos perceber que o Senhor resolveu destruir a terra por não haver justos, todos estavam corrompidos pelo pecado. A oportunidade que eles perderam implicava suas próprias vidas.
Da mesma forma, Deus nos dar uma oportunidade. Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações. Hebreus 4:7b. O Senhor Jesus faz um paralelo entre os dias de Noé e os nossos. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam,casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Mateus 24:37-39.

A corrupção atual

Vejamos o que quer nos dizer o Senhor; o mundo está no mais absoluto engano espiritual, pois as pessoas não conseguem ver que a arca já foi construída e está para partir, o mundo atual estar da mesma forma da época de Noé, todos estão agindo por conta própria fazendo o que bem entendem, com isto, desagradam a Deus. A sociedade está corrompida pelo pecado e precisa de um salvador, os valores divinos foram substituídos por valores humanísticos. A família de Noé foi salva por uma arca que de certa forma tipificava Cristo, Hoje temos um Salvador que nos livra da condenação do pecado; Jesus Cristo, por isso, Hoje é o dia da Salvação 2 Coríntios 6:2. Ninguém sabe se amanhã ainda haverá uma oportunidade.

O Convite Especial de Deus

No tempo de Noé, Deus tomou uma decisão, condenar o pecado, destruindo o mundo, salvando apenas uma família para dar início o repovoamento da terra. Em nossos dias, porém, Deus quer que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade, na arca atual há lugar para todos. João 1:12 “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem filhos de Deus.” Recebemos a Cristo pela fé, então, todos aqueles que crêem, e aceitarem ao convite, serão bem recebidos na arca. Ap3:20 “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” Porém, esta oportunidade também foi dada nos tempos de Noé, no entanto, Deus não foi ouvido, como não é em nossos dias. Vemos com isto, que só há uma forma de evitar a destruição. O arrependimento, que nos leva a ver a única oportunidade que temos em vida para mudar nossa história. Pois, Hb 9:27 “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.”

domingo, 11 de julho de 2010

Que darei ao Senhor?

"Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?" (Sl 116.12).

Vemos neste texto, o salmista preocupado e perguntando a si mesmo, o que daria ao Senhor pelos benefícios recebidos. Enquanto muitos estão querendo ser agradados; é bom preocuparmos em agradar ao Senhor. O sentido real de culto e adoração é entregar, oferecer, doar ao Senhor. A primeira vez que o verbo adorar aparece na bíblia é em Gênesis 22.5, quando Abraão ia entregar o seu filho Isaque. Ele estava subindo para sacrificá-lo ao Senhor; estava oferecendo a Deus o que tinha de melhor. Isso sim, é adorar; isso sim, é cultuar ao Senhor; e não somente pedir.

Muitos crentes ao sair de casa para irem ao culto dizem: "hoje quero receber algo" e realmente estamos sempre recebendo algo da parte do Senhor, pois isso é bíblico (Mateus 7.8). Entretanto, não podemos inverter as prioridades; primeiro "[...] o reino de Deus e sua justiça", depois as nossas necessidades (Mateus 6.33). "Ninguém apareça de mão vazias perante mim", essa era a exigência em Êxodo 23.15. O Senhor está sempre pedindo algo de nós. Feliz aquele que está sempre pronto a oferecer.

Tomarei o cálice da Salvação – O salmista estava assumindo um compromisso de viver uma vida comprometida com o reino de Deus. A expressão ‘tomar o cálice’, mostra que ele bem sabia que isso implicaria em uma renúncia total ao mundo e seus deleites. Não obstante, muitos tentarem facilitar o caminho para o céu através de atalhos e outros artifícios, ainda existem aqueles que estão dispostos a atentar para uma tão grande salvação (Hebreus 2.3).

Invocarei o nome do Senhor – Mesmo quando muitos se fiam em socorros terrestres, o Senhor se alegra daqueles que confiam em seu nome e reconhece que é vão o socorro do homem; enquanto muitos confiavam em carros e cavalos, os que confiam no Senhor jamais farão da carne o seu braço forte (Jeremias 17.5), mas invocarão o nome do Senhor. Isso fala de uma vida de fé, que realmente agrada a Deus (Hebreus 11.6).

Pagarei os meus votos – Certamente havia alguns votos que estavam no esquecimento, mas agora nascia um sentimento verdadeiro que fazia com os votos não cumpridos fossem lembrados. É bom não esquecermos de cumprir nossos votos. No momento da tormenta e da dor, fazemos votos que são facilmente esquecidos quando tudo se faz bonança. Faça uma introspectiva e veja se existe algum voto por cumprir com aquele que sempre atende aos nossos pedidos.

Creio que ao ler essas linhas, o Espírito Santo toca em você e te comunica algo que Ele está esperando de ti. Não sei o que o Senhor te pede nesta hora, mas tenho certeza que alguma coisa você precisa entregar ao Senhor. Talvez não seja o Isaque, como no caso de Abraão, ou metade das riquezas, como no caso do jovem rico; talvez seja apenas os cinco pães e dois peixes, mas certo é, ele te pede algo.

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti [...]” (Miquéias 6.8).

Cleosmar B. Machado

Um desabafo, estou cansado!

Parafraseando um grande homem de Deus. Estou cansado, de homens dissimulados, que entram sorrateiramente em nosso discipulado, sugam o que temos: tempo, ensinamentos, confiança, um pouco de dedicação, e até dinheiro. E por fim, nos preparam um golpe no melhor estilo de Caim, e nos matariam se não fosse a intervenção divina. Em seus planos ambiciosos, egoístas e diabólicos, conseguem mover tudo e todos com uma facilidade surpreendente, eles estão aí, cuidado, sem se preocuparem com quem o Senhor Jesus chamou de pequeninos, pois o que querem é a promoção pessoal. E nisso, enganam a muitos. Estou cansado destes egoístas, que só querem fazer o que querem, são homens de dura servis, guiam suas famílias e seguidores, para um abismo sem fim, que pena. Gostam de exortar, porém, não gostam e nem aceitam exortação. Que hipócritas, até quando, Deus. Estou cansado, de tantas máscaras dentro da Igreja, que era para ser um local de adoração e companheirismo. Estou cansado, Senhor, do Joio, que tem nos enganado e também aos novos, no entanto, está na Palavra, eles são impiedosos, e pra eles vale tudo, vendem até a alma ao diabo, cuidado. Não podemos ceifá-los, porém Deus o fará. Entretanto, a Bíblia diz que o diabo se transfigura em anjo de luz. Mas uns já são conhecidos, vivem se envolvendo em problemas com seus lideres, por onde andam causam problemas. E nós, pobres pastores, sempre com a esperança de tratá-los, os recebemos. Só sei dizer, estou cansado, Deus. Mas quero continuar, pois amo o meu chamado. Vivem assim, pois são movidos por uma Bíblia que não conhecemos, por um cristianismo que não causa mudança de conduta, nem de comportamento. Depois de “crente”, a família continua sofrendo, agora, não mais com a bebedeira de antes, agora, com seus ideais malucos, sua busca contínua pela promoção pessoal. Andam desgarrados como ovelhas que não têm pastor, mas gostam, porque pastoreiam a si mesmos. São arrogantes, prepotentes, amantes de si mesmos, têm sempre uma resposta crítica à luz da “Bíblia”, no entanto, não a aplicam em suas próprias vidas. Tiram o povo de onde são felizes, e transportam-nos para um sistema religioso rudimentar, de uma religião morta, pois é baseada em seus próprios interesses. Cedo ou tarde os pequeninos crescem e se cansam de tanta morosidade, de dá voltas sem fim pelos desertos, e voltam para o lugar de onde nunca deveriam ter saído. Com tudo isso, estou cansado. Contudo, creio, Deus me honrará, com a restituição.

Pr. Josué Barbosa

terça-feira, 6 de julho de 2010

Felicidade e fidelidade no casamento — o que é mais importante?

Apesar da origem divina, da beleza e da bênção do casamento, ele não é um relacionamento fácil. Aliás, é muito difícil. As muitas separações e os muitos divórcios, bem como a tendência cada vez maior de uniões temporárias e informais, sem compromissos mútuos, o comprovam.

O casamento parece muito simples e muito fácil na fase de descoberta da pessoa amada. Parece muito fácil nas fases seguintes de aproximação progressiva (namoro, noivado e casamento), na lua-de-mel e nos primeiros anos de vida conjugal.

O casamento é difícil por várias razões, especialmente por causa das diferenças entre os cônjuges. São duas pessoas de sexos diferentes — fisiologia diferente, sentimentos diferentes, momentos críticos diferentes, emoções diferentes. São duas pessoas de temperamentos diferentes — não há duas pessoas iguais nem entre aquelas que têm o mesmo pai e a mesma mãe, e a mesma educação. São duas pessoas de históricos diferentes — até mesmo quando são da mesma raça, da mesma religião, da mesma pátria, da mesma cultura e do mesmo nível socioeconômico.

Um cônjuge não pode submeter o outro. Nem o homem nem a mulher. Ambos precisam aprender a arte de conviver — “viver em comum com outrem em intimidade, em familiaridade” (Aurélio), viver com ou ao lado do cônjuge. Ninguém precisa ter medo de ler os deveres conjugais apontados por Paulo em Efésios 5.22, 33. Nem as mulheres, nem os homens, nem os pastores, a não ser que a leitura seja machista (problema antigo) ou feminista (problema moderno). Paulo é muito equilibrado e combina a submissão feminina com o amor masculino, ou este com aquela. Gasta duas vezes mais palavras com o marido que com a esposa. E a referência para ambos é o casamento de Jesus Cristo com a Igreja.

Os ministros religiosos que celebram casamento precisam mudar o discurso de anos a fio. Temos enfatizado mais a fidelidade do que a realização pessoal dos cônjuges. É nosso dever dar a mesma importância à fidelidade e à felicidade, pois uma leva à outra e vice-versa. A felicidade conjugal torna quase impossível o adultério, e a fidelidade conjugal torna quase impossível a abertura de feridas de cura demorada e sofrida.

O que uma esposa espera de seu esposo

Desde que Eva foi criada, muita coisa tem mudado na vida das mulheres, mas as coisas mais importantes, aquelas que nos trazem felicidade e realização, permanecem inalteradas por fazerem parte da essência da feminilidade.

Ainda hoje, a esposa precisa que seu marido lhe dê três coisas que satisfarão às necessidades básicas do seu coração: segurança, liberdade e honra. E as três derivam do conceito do amor ágape, doador, sacrificial, com que o marido é ordenado a amar sua esposa (Ef 5.25).



O amor do marido traz segurança à esposa

É o amor que toma a iniciativa, e o homem foi especialmente capacitado por Deus para ser o iniciador, o que busca, que corteja, que conquista, o que faz parte da sua natureza. A mulher que é assim conquistada sente-se segura na sua feminilidade, na sua natureza mais responsiva.

O marido amoroso não apenas conquista o amor da esposa, mas também o alimenta por meio de atos carinhosos, como dar-lhe a mão quando estão juntos; de palavras amorosas e elogiosas, pois sabe que a mulher é atraída pelo que ouve; de pequenos gestos e sacrifícios que para ele talvez nem façam muito sentido, como dar um presentinho, flores, assistir a um filme romântico com ela ou planejar algum momento especial só para os dois; de respeito pela pessoa feminina que ela é, por sua maneira diferente de pensar e de se expressar.



O amor do marido liberta a esposa

O amor doador nunca cerceia, antes visa a libertação da pessoa amada para ser tudo o que Deus a fez para ser. Ele não quer transformar a outra à sua própria imagem, mas se regozija na sua singularidade e beleza. “O amor edifica” (1 Co 8.1b), ajuda a esposa a crescer, a amadurecer, a revelar-se na sua essência. Reconhece seus dons particulares e encoraja-a a desenvolvê-los, provendo os meios para que ela possa fazê-lo, mesmo que isso envolva sacrifício pessoal. Ele não compele nem força, antes apóia, estende a mão, colabora.



O amor do marido honra a esposa

O amor do marido é como um manto sobre os ombros da esposa, símbolo de sua proteção e seu cuidado. Debaixo dele, ela se sente valorizada, importante, respeitada por ser quem é, como é. Não precisa temer sua própria fragilidade nem o passar dos anos e a chegada das rugas e dos cabelos brancos, pois sabe que o marido vê nela a beleza que nunca diminui nem acaba, mas se renova e viceja a cada nova fase da vida.

O marido que ama a esposa como Cristo amou a igreja procura o aperfeiçoamento, o crescimento, o amadurecimento e a restauração da pessoa que sua esposa foi criada para ser, o que trará felicidade e gozo para ele próprio. Esse é o mistério do amor no relacionamento conjugal. Simbolizado pela redondeza contínua das alianças de ouro, ele dá início a um processo infindo de doação, que conduz ao paradoxo de que “é dando que se recebe”, é doando a si mesmo que se cresce, é libertando que se liberta.

Wanda de Assumpção

O que um esposo espera de sua esposa

A letra de uma antiga canção popular brasileira, Emília, diz: “Eu quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar; e que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar”. Essa afirmação reflete muito do machismo cultural do povo brasileiro, que vê na relação conjugal a esposa como serviçal: Amélias e Emílias da vida.

Tal machismo remonta aos primórdios de nossa colonização pelo “civilizado” homem europeu. Ele chegava ao nosso continente, usava as nativas para a sua satisfação sexual egoísta e retornava para o seu lar, que havia ficado sob os cuidados e administração de sua esposa.

O machismo histórico brasileiro cria duas fantasias a respeito da mulher: a mulher serviçal, que deve ficar em casa e cuidar da administração do lar e da educação dos filhos, servindo ao marido em todos os seus mimos quando ele volta para casa; e a mulher sensual, fogosa, cheia de volúpia e pronta a dar o prazer sexual ao homem desejoso.

Essas fantasias são, na mente masculina, irreconciliáveis, o que leva muitos homens a tratarem mal suas esposas e terem casos fora do casamento.

Na realidade, o que um homem espera de sua esposa é que ela o ajude na construção de sua auto-imagem, sua identidade como homem, esposo, pai, cidadão, profissional!

A cada dia que passa, a sociedade impõe um desempenho maior ao homem, tanto na vida pessoal como profissional, e isso faz com que ele sinta-se incapaz de atender a todas as expectativas e demandas que lhe são impostas. Ele sente-se fragilizado e precisa de alguém ao seu lado que o incentive e ajude nessa caminhada.

Essa é a principal tarefa da esposa: ajudar na construção da auto-imagem de seu marido, o que em última instância, é o que ele espera dela. Nesse sentido, ela cumprirá o seu papel de ézer knegdo, que em hebraico significa “auxiliadora idônea”, como descrito em Gênesis 2.

Não se trata de uma auxiliar de serviços, como cultural e erroneamente este texto tem sido interpretado muitas vezes, mas de alguém que vem em meu auxílio para me ajudar em algo que eu não posso fazer sozinho. (O mesmo termo é atribuído a Deus, quando o salmista nos diz que Ele é nosso auxílio e socorro bem presente no momento da tribulação).

Assim, a esposa cumpre um papel que não pode ser cumprido por qualquer um, pois é preciso haver intimidade para o marido aceitar ajuda, ou mesmo para reconhecer que precisa ser alentado na construção de sua identidade e auto-imagem.

Infelizmente nosso machismo cultural leva o homem não só a bloquear sua percepção dessa necessidade, como também a recusar qualquer tipo de ajuda de sua companheira para seguir adiante na valorização de si mesmo de forma saudável e positiva. Como conseqüência dessa negação, o homem se isola em seu “ninho televisivo” ou afunda-se em compulsões (álcool, drogas, esportes etc.) e relaciona-se com a esposa num padrão objetal (uso do outro) e insaciável (sempre insatisfatório) — a não ser que a esposa se torne “Amélia” ou “Emília” (serviçal no lar) e aceite que o marido tenha amantes fora de casa. Mas aí será ela que terá de anular-se como pessoa.

Reconhecer que o modelo idealizado por Deus na criação para a relação conjugal é um modelo de saúde integral e procurar viver nesse padrão — não a partir da interpretação cultural machista que muitos impõem ao texto — é o melhor que o casal pode fazer na busca da realização conjugal. E essa é uma tarefa de construção contínua...

Carlos “Catito” Grzybowski, psicólogo e terapeuta familiar, é coordenador para o Brasil da Associação Internacional de Assessoramento e Pastoral Familiar (EIRENE) e assessor de relações internacionais do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC).

A lei e a completude de Cristo

Mesmo depois da minha conversão, tive dificuldade de entender a questão da guarda da lei, principalmente em relação ao sábado.

Isso se deveu a duas razões principais: primeiro porque nos anos que antecederam minha decisão de seguir a Cristo, mergulhei profundamente em estudos bíblicos e outros escritos sabatistas que enfatizavam essa doutrina com um ardor impressionante, já que a guarda do sétimo dia pontifica entre eles como o leitmotiv da existência da própria denominação.

Fale mal da Bíblia e até de Jesus com alguns deles e talvez nem se ofendam tanto, mas fale mal do sábado...

Segundo, porque muitos dos que mentorearam a minha nova vida infelizmente usaram a mesma forma de doutrinação dos sabatistas, a qual, humildemente, reputo de equivocada.

Assim foi que, ao receber uma dupla de pastores batistas em minha casa, puxei o assunto e desfechei meu ataque, disparando todos os versículos que conhecia sobre a guarda do sábado, a começar, é claro, pelo quarto mandamento. Eu vociferava: “Está na Lei e a lei de Deus é imutável!” Meus pobres irmãos penaram pra botar um pouco de graça no meu coração.

Por que aqueles homens não obtiveram o êxito desejado com seus argumentos? Por uma razão muito simples: enquanto os sabatistas enfatizavam o sábado, os pastores que recebi, ingenuamente, enfatizavam o... domingo! Ora, na minha modesta opinião, isso é trocar uma lei por outra. E com uma desvantagem: sem um único versículo bíblico que abone explicitamente a guarda do domingo.

O tempo passou e, embora eu não confessasse publicamente minha dúvida, de vez em quando lá estava o terrível aguilhão da lei a acicatar a minha cabeça. Não é por acaso que Paulo usa a expressão “maldição da lei”. Era exatamente isso.

Talvez você tenha passado ou ainda passe pelo mesmo problema que enfrentei. Em caso afirmativo, saiba que Deus é maravilhoso e a sua Graça, inescapável, insopitável. Há esperança para os ex-legalistas como eu.

Para mim, toda interpretação da Bíblia precisa passar pelo crivo de uma pessoa: Jesus Cristo. Em outras palavras, começa-se tudo com Cristo, Ele é a chave para a interpretação de toda a Escritura. Depois é que vêm as cartas, o Velho Testamento, etc. Em primeiro lugar, o que Jesus pensava, o que ensinava e, principalmente, o que fazia, como agia; depois as demais coisas.

Comecei então a meditar e analisar o aparente conflito entre lei e graça, entre lei e Cristo. Paulo diz que a lei é santa, justa e boa, mas o homem, por causa da queda e da consequente inclinação para o pecado, não pode cumpri-la integralmente, por mais que se esforce.

Certas questões não fechavam. E a principal que me atormentava era esta: como um Jesus que dizia que não tinha vindo ab-rogar (revogar, anular a lei) desobedecia a ela, permitindo que os seus discípulos colhessem espigas no dia de sábado? Isso sem falar no fato de Ele mesmo curar no sábado, o que, segundo os doutores da lei, “não era lícito fazer”. Os sabatistas diriam que “é lícito fazer o bem no sábado”. A resposta é boa, já que foi o próprio Cristo quem a deu, mas não é só isso. Lei é lei, transgressão é transgressão. A sua força é tão peremptória para os judeus que, estranhamente, para cumprir a lei da circuncisão, eles acabavam quebrando a do sábado. Difícil de entender, não é?...

A névoa começou a se dissipar com a aparente contradição de uma palavra: cumprir. “Vim para cumprir”, disse Jesus. Cumprir, cumprir, cumprir... Como Jesus estava cumprindo, se estava desobedecendo??? Contradição, contradição, contradição. Comecei a meditar e descobri o segredo. Ele está na palavra cumprir, é isso! Como não sou teólogo nem exegeta, não recorri ao texto grego para tirar a dúvida. Se fosse, encontraria a palavra plerosai (=cumprir, encher). Mas Deus me levou a um livro simples e maravilhoso a que recorro desde a mais tenra infância: o dicionário. Bendito dicionário!

Deus também fala por meio do dicionário. Geralmente se pensa na palavra cumprir apenas com o sentido de observar, realizar, executar o que se prometeu. O que muitos não sabem ou esquecem é que cumprir também significa completar, encher. Tem origem na raiz latina plen-, que também forma palavras como pleno e completo, entre outras.

“Então é isso!” - exclamei. Caiu o véu!

A lei nos foi dada como aio (do grego paidagogos, o que acompanhava os filhos dos nobres à escola) para nos conduzir a Cristo (o fim dela) e servia, como ainda serve, para mostrar a nossa condição de pecadores, confrontar-nos com a santidade, a perfeição de Deus. Como “não há um justo sequer”, como bem disse Paulo, ninguém pode cumpri-la (aqui no sentido de satisfazer às suas regras) integralmente. Só Jesus pôde.

Pode ficar triste, mas não se desespere. Nem Moisés, que a entregou ao povo hebreu; nem Josué, nem Samuel, nem Davi, nem os profetas, nem João, o batizador; nem Maria, que deu à luz o próprio Jesus, homem; nem Pedro, nem Paulo, nem Tiago, nem João ou qualquer outro ser gerado pela união de óvulo e espermatozóide foram capazes de cumprir a lei. Só Jesus, gerado pela ação direta do Espírito Santo, não pecou, portanto cumpriu (satisfez) integralmente a lei.

O que é mais importante, entretanto, é que Ele a cumpriu também no sentido de completar. Mas o que significa isso na prática?

Temos a mania de achar que as regras da lei do Antigo Testamento eram mais rígidas que as da lei de Cristo. Alguns até dizem que o Deus do VT era duro, inflexível, castigador. O Deus Jesus, não. Dá até a impressão de que Jesus, enquanto vivia corporalmente aqui na terra, passava a mão na cabeça dos pecadores, que era um Deus “bonzinho”, que o mandamento do amor é algo romântico, melífluo, parecido com o ponto facultativo de um calendário.

Definitivamente não. No sermão do monte, Jesus revela uma fina, uma sutil rigidez nessas regras de amor. Não é necessário matar para cometer pecado, basta se irar contra o seu próximo ou chamá-lo de tolo; não é necessário adulterar para pecar, basta olhar para uma pessoa com intenção impura. O pecado se desloca da ação para a intenção. Pergunto então: qual é a lei mais dura, mais severa? Estabelecendo essas novas regras, Jesus está desobedecendo à lei ou cumprindo-a, completando-a?

Tudo isso nos leva a outra pergunta: onde entra o sábado nessa questão? Vou responder com esta: Examine os evangelhos. Você vê Jesus matando alguém? Você vê Jesus adulterando? Você vê Jesus roubando? Você o vê desonrando pai e mãe? Lembre-se de que isso não aconteceu nem quando Ele se afastou dos pais e ficou debatendo com os doutores, não é verdade? Mas você o vê transgredindo a lei do sábado, não é? Eu diria mais: diversas, inúmeras vezes! Qualquer pessoa com um mínimo de QI espiritual só pode chegar a esta conclusão: ou Ele transgrediu a lei e, portanto, é pecador, o que o colocaria como qualquer um de nós; ou Ele, o Senhor do sábado e de todos os dias e tempos, na verdade, não estava transgredindo lei alguma, já que isso contradiria a si mesmo, que é Deus e estabeleceu a lei. Um Deus que se contradiz...Isso seria um absurdo, uma blasfêmia!

Entra, portanto, aqui, o conceito de completude de Cristo. O que Jesus fez com todos os mandamentos foi completá-los, aperfeiçoá-los, convergindo e convertendo para a Sua bendita pessoa tudo aquilo que era sombra no VT em realidade visível, tangível e factível. Se tudo o que Ele ensinou, pensou e fez era perfeito, então nós podemos e devemos imitá-Lo também. Para a lei, um dia especial de guarda – a sombra, a imagem fosca e tosca de um espelho; para a Graça, todos os dias santos, até porque um só revelaria a pobreza da nossa adoração, a mesquinhez da nossa devoção, a fatuidade da nossa entrega de vida.

Consolidei, assim, com essa reflexão, a convicção espiritual de que não se pode construir nem a vida nem a igreja de Cristo sobre o frágil alicerce de um dia – seja ele sábado ou domingo - mas unicamente sobre o fundamento de Sua pessoa, não só no que tange ao que pensava, mas principalmente sobre a prática que Ele deixou como exemplo. Mais que isso, libertei-me do fardo que me atormentou por longos e terríveis anos!

Apenas um cristão que, pela graça de Deus, procura viver os valores do Seu Reino.

Neemias Felix