sexta-feira, 26 de março de 2010

Confissões

Faço algumas perguntas e incentivo o questionamento entre todos os que possam ler este artigo. Peço que primeiramente, você leia sem um pré-conceito e que possa pensar com uma mente aberta. Quando pensamos nas coisas de Deus, não quer dizer que sejamos incrédulos, mas que estamos num processo de transformação. Numa passagem de uma fé menor para uma fé maior.
Será que temos pregado sobre a queda do homem, sobre a doença do pecado, sobre a sujeira do coração humano, sobre o pecado residente, sobre a lei do pecado, sobre a predominância do mal na experiência pessoal? Será que não fazemos ligeiras menções a Jesus Cristo, simplesmente por força do hábito, para fazer jus ao nome de cristãos? Não abordamos séria e frequentemente seu nascimento sobrenatural, sua dupla natureza humana e divina, seu sacrifício expiatório, sua vitória sobre a morte, sua exaltação ao assentar-se à direita do Pai, e sua parúsia em poder e muita glória. De vez em quando somos obrigados a ouvir o que o Senhor disse ao anjo de Laodicéia: ‘Eis que estou à porta e bato’ (Ap 3.20).Conversão não significa mais aquela meia-volta que marca o rompimento com o pecado e a incredulidade, aquele nascer de novo sem o qual ninguém pode entrar no reino de Deus, aquela disposição corajosa e continuada de negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir a Cristo sem restrições.Por não estarmos fazendo clara distinção entre adesão e conversão, estamos trabalhando para aumentar na igreja visível a porcentagem do joio em detrimento da porcentagem do trigo. Se continuarmos assim, muito em breve seremos uma megaigreja de cristãos nominais.Continuamos muito mais interessados na quantidade do que na qualidade. O crescimento numérico exerce sobre nós um fascínio muito maior do que o crescimento em santidade.Não temos feito discípulos de Cristo, mas temos ensinado as pessoas a se utilizarem de Cristo e dos benefícios do evangelho egoisticamente.Não temos conseguido fazer a difícil distinção entre ministério e mero interesse comercial. Produzimos e vendemos Bíblias, livros, revistas, jornais, CDs e DVDs de música e mensagens para edificação dos fiéis, cada vez mais numerosos, e também, em alguns casos, para encher o bolso de dinheiro. Tornamo-nos tão oportunistas quanto os vendilhões do templo e, como eles, estamos transformando a casa de oração num esconderijo de ladrões (Mt 21.13), ou quanto os vendedores de indulgências do século 16, que transformaram a igreja num mercado de salvação.Não temos colocado nossa motivação à prova. Por ausência de filtro, a verdadeira motivação mistura-se com desejo de projeção pessoal, com sede de poder, com interesses particulares, com ciúmes, invejas e rivalidades.Temos trocado a direção do Espírito pela política eclesiástica. Compramos votos e vendemos posições. Prestigiamos partidários e colocamos mordaça naqueles que não nos convêm, quase sempre em nome da revitalização da ortodoxia e da espiritualidade.Não nos humilhamos nem sob a proteção da poderosa mão de Deus. Não esperamos a exaltação que vem do Senhor na medida certa e na ocasião adequada (1Pe 5.6). Esquecemo-nos de que “a desgraça está um passo depois do orgulho” e que “logo depois da vaidade vem a queda” (Pv 16.18, BV). Não temos sido delicados com Jesus Cristo, pois o verdadeiro amigo do Noivo faz propaganda do Noivo e não de si mesmo (Jo 3.30, BV).Por meio da repressão por demais conservadora e da formulação de um monte de regras e normas, temos destruído a espontaneidade do culto e provocado muitas cisões no Corpo de Cristo.

Reações:

1 comentários:

Anônimo disse...

Meu querido irmão Ângelo.

Suas "confissões" estão perfeitas.

Concordo em tudo que você discorreu (sabiamente) sobre o assunto e quero compartilhar contigo meu parecer.

Há um agravante. Existe um caso análogo sobre uma denominação/religião "cristã" que por centenas de anos dominou o mundo e gerou muita morte e muito lucro com vendas de indulgências e simonia. Qual foi o resultado disso? Decadência. Isso fez suscitar o protestantismo. Pessoas morreram como mártires, pois não queriam ver o evangelho de Cristo maculado. Mas, a "igreja" de hoje se esqueceu disso. Ressuscitou as indulgências institucionalizando o dízimo e criando um plano de carreira eclesiástico. Trabalhe na igreja, dê seu dízimo e terás uma aposentaria abastada com mansões e carro importado para dar "testemunhos" na tv. Um paradoxo bíblico. Jesus pregou a pobreza. A relação do homem com Deus e o mundo é inversamente proporcional, ou seja, quanto mais longe dos prazeres do mundo, mais próximo de Deus, e vice-versa. A "igreja" está corrompida. O notável crescimento do número de "igrejas" é, na verdade, a decadência moral e religiosa do ser humano, pois este não se adéqua mais as escrituras, mas sim, as "igrejas" se adéquam ao ser humano, como num mercado, tem para todos os gostos. Oremos à Deus para que tenha misericórdia de nós e que nos dê sabedoria para que não sejamos achados pesados na balança.

Luciano Barbosa