quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Comentário do texto de Leonardo Boff publicado neste blog

Se você ainda não leu o texto na íntegra click no link abaixo

Onde está a verdadeira crise da igreja

Leonardo Boff tem a coragem de dizer aquilo que todo mundo já sabe, mas ninguém ousa falar: o papado é uma instituição humana -- tem mais a ver com César do que com Jesus de Nazaré. Quando um poder institucional se torna infalível, absoluto e sagrado, passa a se considerar acima da lei e viabiliza toda sorte de abuso espiritual, emocional, sexual e financeiro. Mas não sejamos tão rápidos em nossas críticas: entre nós, evangélicos, existem muitos pequenos papas e Vaticanos.


Osmar Ludovico da Silva, diretor de cursos de espiritualidade cristã e revisão de vida e autor de “Meditatio”

Como sempre, Boff escreve muito bem, tem grande facilidade de argumentação e um estilo cativante. Essencialmente, desde uma perspectiva protestante, ele está correto. Existe uma diferença entre a igreja instituição, a estrutura hierárquica, e a igreja como povo de Deus, o conjunto dos fiéis. No entanto, não ficam claras quais deveriam ser, na prática, essas mudanças que ele preconiza para a igreja institucional. Quanto à igreja-povo, também há uma certa indefinição, por causa do compromisso de Boff com a teologia da libertação. As ênfases mais recentes desse teólogo têm se tornado um tanto sincretistas, misturando a fé cristã com preocupações ecológicas e com a ideologia da Nova Era. Mesmo assim, as críticas que ele faz ao modelo monárquico e centralizador da Cúria Romana me parecem válidas.

Alderi Souza de Matos, historiador, autor de A Caminhada Cristã na História



O artigo é fundamentado primorosamente tanto na questão histórica quanto no posicionamento atual do Vaticano e no ministério do romano pontífice. Boff sabe das coisas e sabe muito bem. Caso fosse mais alinhado com as Escrituras, poderia ter sido um Lutero do século 21.

Luiz Fernando, pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira e presidente do Presbitério de São João da Boa Vista, SP



As palavras de Boff confirmam aquilo que os Evangelhos e a história revelam: a presença da igreja não indica, sempre, a presença de Jesus.

Sérgio Andrade, deão da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade e coordenador da ONG Diaconia, em Recife, PE

Minha impressão sobre o artigo: surpreendente! Extraordinário!

Key Yuasa, pastor da Igreja Evangélica Holiness, SP

O texto, embora dirigido à denominação secular conhecida como Igreja Católica Apostólica Romana, é um alerta em relação à organização institucional e estrutural da igreja cristã em todas as suas ramificações denominacionais. O autor não nega a necessidade organizacional da instituição. Porém, questiona a sua fundamentação histórica e teológica (nos moldes existentes), assim como a principal razão de existir da igreja -- sua relevância na vida das pessoas e para o reino de Deus, nesse modelo que enfrenta crises de toda ordem...
Esse questionamento de Boff, além de apropriado, é oportuno e deve ser a preocupação permanente das lideranças de todas as denominações cristãs. Pois todas elas correm os mesmos riscos de criar estruturas (de forma consciente ou não) para promover outros interesses, que não os do reino de Deus. Parabéns pela coragem, pela clareza e contextualidade.

Nilo Wachholz, pastor luterano (IELB), jornalista e editor do “Mensageiro Luterano”

A síntese boffeana, desde “Igreja: Carisma e Poder”, é perfeita. Penso, no entanto, que ela idiliza os fiéis. Quando vejo certas manifestações de fé na perspectiva católica, tanto em Roma quanto nas comunidades locais por aqui, eu me pergunto: o que foi feito do cristianismo?
Porém, sinto o mesmo em relação aos estelionatários da cura, com suas 24 horas de exposição mediática para trocar salvação por dinheiro. Precisamos de mais coragem para denunciar os falsários ditos evangélicos. Boff faz a denúncia lá. Devemos fazer também o nosso dever de casa cá. Fui uma vez a um desses cultos pseudopentecostais. Em nenhum momento se falou de Jesus, mas apenas se pediu às pessoas que gritassem para si mesmas: “Eu vou conseguir!”. Voltei horrorizado, mas fui aconselhado a, por razões éticas, nada comentar. Lamento por mim mesmo ter feito isso. Preciso parar de conter a minha indignação.
Mais: preciso olhar para a minha denominação e para a minha congregação e me perguntar honestamente se são realmente cristãs. Eu mesmo preciso me perguntar se, como homem e pastor, sou mesmo cristão. Será que Jesus me vê como servo bom e fiel? Não posso olhar para as mazelas dos outros e lamber os beiços de felicidade, como se eu fosse realmente diferente.

Israel Belo de Azevedo, pastor da Igreja Batista Itacuruçá, no Rio de Janeiro

Esquecendo alguns exageros de Boff (principalmente dos que pretendiam interpretá-lo e usá-lo) no que concerne à Teologia da Libertação, dou graças a Deus pelo testemunho que moveu Boff a dar em seu artigo intitulado “Onde está a verdadeira crise da igreja”. Em meu entendimento, ele assimilou, consciente ou subsconscientemente, o que os pregadores calvinistas fiéis, de maior projeção, têm propugnado. Ocasionalmente Deus levanta nas fileiras da Igreja Romana vultos assim. Louvado seja Deus!

Odayr Olivetti, responsável pela seção “Consultório bíblico”, do jornal “Brasil Presbiteriano”

A ideia de uma igreja mais simples, mais fraterna, mais ministerial, com o rosto mais humano, está intimamente ligada ao propósito inicial de Jesus. Os acertos, dentre outros, destacados por Leonardo Boff, merecem nossa consideração, se levarmos em conta a situação do cristianismo em nosso continente, enfraquecido pela presença dos novos “césares” (apóstolos, bispos, sacerdotes, pastores e líderes mercantilistas) que desfiguram a igreja do Senhor pelo barateamento que patrocinam do conteúdo do evangelho e pela ânsia do poder-privilégio. De fato, a maior crise da igreja-instituicão está relacionada à ausência de incidência profética e relevância para o atual momento histórico.

Marco Antonio de Oliveira, pastor da Catedral Metodista do Rio de Janeiro



Uma “instituição cristã” é uma contradição de termos; é como uma bola quadrada, uma paralela que se cruza. Instituição, por natureza, presume hierarquia, controle e conservação. Os cristãos institucionais, institucionalizados ou institucionalizantes -- sejam católicos, evangélicos etc. -- deveriam mudar de religião, pois a mensagem do reino é anárquica, na plena concepção do termo de negação do poder. Institucional, inclusive.

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