sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O aprendizado como vocação

A EDUCAÇÃO, os talentos e as circunstâncias de uma pessoa são normalmente indicadores aceitáveis da sua vocação. Se os nossos pais nos mandaram estudar em Oxford e o nosso país nos deu a chance de continuar ali, é uma evidência de primeira mão de que, em todos os casos, a vida que melhor podemos orientar para a glória de Deus no momento é aquela voltada ao aprendizado. O que quero dizer com orientar a vida para a glória de Deus não é, de forma alguma, tentar fazer com que as nossas investigações intelectuais redundem em conclusões edificantes. Como diria Bacon, isso seria oferecer ao autor da verdade o sacrifício sujo de uma mentira. Estou falando da busca do conhecimento e da beleza, em um certo sentido, por si mesmos, mas, em outro, em relação a Deus. Há um gosto natural na mente humana por coisas assim e, Deus certamente não cria nenhum gosto em vão. Por isso somos plenamente capazes de buscar o conhecimento e a beleza por nós mesmos, porque agindo assim estaremos avançando na nossa própria visão de Deus ou então ajudando os outros a vislumbrá-la por si mesmos. A humildade, não menos do que o apetite, nos encoraja a nos concentrar no conhecimento ou na beleza pura e simples, sem nos preocupar tanto com a sua relevância última na visão de Deus. Quem sabe essa relevância não seja para nós, mas para pessoas melhores do que nós – aqueles que vêm depois de nós e encontram o significado espiritual daquilo que nós escavamos em obediência cega e humilde à nossa vocação. [...] A vida intelectual não é o único caminho para Deus, nem mesmo o mais seguro, mas nós a vemos como um caminho, e talvez seja o caminho indicado para nós.

– de The Weight of Glory [Peso de Glória]
1953 The Silver Chair [A Cadeira de Prata, quarto volume da série As Crônicas de
Nárnia] é publicado pela Geoffrey Bles, Londres.
Retirado de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2005).

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