segunda-feira, 3 de maio de 2010

O que é crise (parte 1)

Como complemento da postagem publicada no dia 29 de abril "Crises" o irmão Andrew Roger nos enviou este texto como um Raio X da crise. Vale a pena ler, afinal, o texto é de Leonardo Boff.
Que significa crise ? Todos falamos da crise econômica que provoca uma rede de outras crises. Geralmente vivenciamos a crise como algo ruim; anormal e que não deve ser. Suas manifestações são notórias: desemprego, fome, desespero.O objetivo desta reflexão é mostrar que a crise é necessária (por isso inevitável) a todo processo de vida (econômica, social, pessoal), porque este processo jamais é linear, mas se dá por rupturas e novas retomadas.A crise estoura de tempos em tempos para permitir que a vida continue vida e se possa desenvolver.Ela não é, portanto, um sintoma de doença mas de saúde.Não é algo a ser deplorado mas a ser explorado.Tudo depende de como enfrentamos a crise.Há formas de enfrentamento que não acolhem os desafios da crise no sentido da criatividade e daí da superação da crise; geralmente minorias beneficiadas por um certo tipo de arranjo social, agora em crise, se opõem à mudança necessária e impedem as decisões implicadas na tranformação. Há formas de enfrentamento que captam os desafios, introduzem as rupturas exigidas, abrem um caminho promissor e conferem novo sentido à vida social, econômica e política.A crise é o que é: um fenômeno que pertence a tudo o que é orgânico, como a vida e a sociedade.As atitudes em face da crise produzem bons ou maus frutos.Vejamos, rapidamente, a fenomenologia da crise e em seguida seu sentido.Vive-se um arranjo social fruto de certo equilíbrio de forças; este possui, como todas as coisas, um alcance e um limite, vale dizer, um leque limitado de realização de possibilidades.Ao esgotar-se este leque (o processo chega a um certo patamar de evolução em que deve mudar qualitativamente) produz-se um desequilíbrio; o cosmos (ordem) pode virar caos. As forças em efervescência buscam novo equilíbrio.Uma decisão vigorosa que colhe a dinâmica das forças em tensão cria um novo equilíbrio e a história segue adiante. Formalizando a crise, podemos dizer:(1) uma ordem termina;(2) gera-se uma cisão que aglutine as forças, se produz uma nova ordem (bloco Histórico em nossa sociedade de classes);(3)se houver uma de – cisão que aglutine as forças, se produz uma nova ordem (bloco histórico em nossa sociedade de classes);(4)este novo arranjo via realizar as novas possibilidades criadas até que estas também entrem em crise.De crise em crise prossegue a história em seu curso.Para onde ?Cabe à filosofia e à teologia responder.A origem filológica da palavra crise nos ajudará a entender o processo crítico pelo qual passamos atualmente.Crise tem em sua raiz a palavra sânscrita Kri que significa limpar, desembaraçar e purificar. As palavras crisol (cadinho) e acrisolar (depurar, purificar) guardam o sentido originário do sânscrito.Crise, portanto designa a chance de purificação, o processo de depuração do que vale ou não vale; o crisol desembaraça o ouro de suas gangas.Isso só ocorre se houver separação e ruptura; é o aspecto dramático da crise; nela se acrisolam os dados positivos que vão constituir os fundamentos da nova ordem.
Enviado por Andrew Roger

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